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19 de setembro de 2016

Para refletir



A TRISTE GERAÇÃO QUE VIROU ESCRAVA DA PRÓPRIA CARREIRA PROFISSIONAL
(E a juventude vai escoando entre os dedos.)
Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.
________Ruth Manus.

18 de fevereiro de 2016

Falta de escrever à mão 'pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças'


Pesquisa diz que nada substitui aprendizado de escrita à mão

Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças.

A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.

Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar esse desenvolvimento, a pesquisadora estudou crianças que ainda não sabiam ler --que poderiam ser capazes de identificar letras, mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.

No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes, enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado.

A pesquisa testou a capacidade dessas crianças de aprender as letras. mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.

O cérebro das crianças foi analisado antes e depois do treinamento, e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigênio no cérebro para mensurar sua atividade.
Respostas diferentes

Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende por meio da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as em um teclado.

As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever.

Escrever à mão ativa áreas diferentes do cérebro das crianças

Esse não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.

O cérebro parece ficar "ligado" e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler.
"Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por esse processo", disse James.

Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.
Computadores em escolas

Muitas escolas têm pressa em implantar computadores em classes com crianças cada vez mais jovens

As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.

"Em partes do mundo, há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isso (essa pesquisa) pode atenuar (essa tendência)", disse Karin James.

Muitas escolas americanas até já transformaram escrever à mão em uma alternativa opcional para professores. Muitos educadores não ensinam mais caligrafia.

Uma solução poderia ser usar algum programa em um tablet que simulasse o ato de escrever à mão.

Mas, pelo que a pesquisa da cientista sugere, nada parece substituir o aprendizado com a escrita à mão.
Fonte: Uol Gravidez e Filhos - 12/02/15

23 de setembro de 2015

Curiosidades da língua portuguesa

5 palavras que muitas pessoas pronunciam errado
Existem termos com os quais até mesmo os falantes cultos nativos de língua portuguesa se confundem e cometem deslizes ao se expressarem. Confira as cinco palavras a seguir e veja se você sabe pronunciá-las corretamente:
1. INEXORÁVEL (inabalável, inflexível, austero, rígido)
Pronúncia frequente: “ineczorável”
Pronúncia correta: “inezorável”
2. RUBRICA (assinatura abreviada de alguém)
Pronúncia frequente: “rúbrica”
Pronúncia correta: “rubríca”
3. RUIM (algo que não faz bem, nocivo)
Pronúncia frequente: “rúim”
Pronúncia correta: “ruím”
4. SINTAXE (estudo da estrutura gramatical das frases)
Pronúncia frequente: “sintácse”
Pronúncia correta: “sintásse”  
5. SUBSÍDIO (apoio, recurso financeiro, quantia de dinheiro, vencimento)
Pronúncia frequente: “subzídio”
Pronúncia correta: “subcídio”
Obs.: as grafias entre aspas são ilustrativas.

‘Mãe’ tem ‘m’ em muitas línguas
Você sabia que a palavra ‘mãe’ inicia com a letra ‘m’ em diversas línguas? Acredita-se que a origem da palavra esteja relacionada a um dos sons fundamentais da espécie, que é o do bebê pedindo para mamar. Veja abaixo uma pequena lista da palavra 'mãe' em outros idiomas.
Alemão ............. Mutter
Bósnio............... Majka
Búlgaro............. майка
Catalão.............  Mare
Chinês..............  Mǔqīn
Croata............... Majka
Dinamarquês .... Mor
Eslovaco ........... Matka
Esloveno........... Mati
Espanhol .......... Madre
Francês ............ Mère
Galês ................ Mam
Haitiano............ Manman
Grego................ Mi̱téra
Havaiano .......... Makuahine
Híndi................. Māṁ
Holandês .......... Moeder
Inglês................ Mother
Irlandês ............ Máthair
Islandês ............ Móỗir
Italiano ............. Madre
Latim ................ Mater
Lituano.............. Motina
Norueguês ........ Mor
Polonês ............. Matka
Português ......... Mãe
Romeno ............ Mamă
Russo ................ Mat’
Sérvio................ мајка
Sueco ............... Mor
Tcheco.............. Matka
Ucraniano ........ Maty
Vietnamita........ Mẹ

A palavra "saudade" só existe em português?
A palavra "saudade" não é particularidade da língua portuguesa. Porque derivada do latim, existe em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da "nostalgia de casa", a vontade de voltar ao lar. 
A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: saudade é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mesmo no campo semântico, no entanto, há correspondente, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se "durere"). 
É um sentimento que existe em árabe, na expressão alistiyáqu ''ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nosso "saudade", tanto quanto o latim.
Fonte: Revista Língua Portuguesa

Qual a forma correta: trisavô ou tataravô?
Sabemos que o pai do pai é o avô, e que o pai do avô é o bisavô. Mas e o pai do bisavô? Muitos afirmam ser o tataravô, no entanto os dicionários Aurélio e Houaiss, por exemplo, definem o trisavô como pai do bisavô.
Tataravô é a forma paralela de tetravô, ou seja, aquele que seria pai do trisavô. Há, contudo, dicionários que preferem aceitar aquilo que o povo consagrou no dia a dia, ou seja, tataravô como pai do bisavô.
Obs.: a partir das formas tataravô ou tetravô, costuma-se utilizar numerais ordinais seguidos do vocábulo avô. Assim, temos:
Quinto avô (No lugar de pentavô)
Sexto avô (No lugar de hexavô)
Sétimo avô (No lugar de heptavô)
Oitavo avô (No lugar de octavô)
Nono avô (No lugar de nonavô)
Décimo avô (No lugar de decavô)


http://www.soportugues.com.br/secoes/curiosidades/


10 de agosto de 2015

6 Elementos básicos para criar uma História em Quadrinhos


De um modo geral, as histórias em quadrinho costumam acompanhar a vida das pessoas desde a infância. De modo que suas características básicas estão de algum modo arraigadas na nossa mente. Ainda assim, muita gente simplesmente “trava” diante de uma possibilidade de para fazer quadrinhos, seja numa brincadeira criativa sem compromisso ou  para realizar alguma atividade criativa na escola, entre outras possibilidades. Seja um cartum de quadro único, uma tiraou uma história longa.

Não se preocupe tanto com isso a ponto de ficar sem ação: você verá que os princípios básicos para a produção de uma HQ são simples (claro que fazer isso com qualidade profissional e sair por aí a ganhar dinheiro com suas histórias em quadrinhos vai exigir esforço, tempo e dedicação, mas isso é uma outra história).


Resolvi então listar estes elementos básicos, que estão presentes de uma forma ou de outra em qualquer gênero de HQ, seja um infantil, adulta, graphic novel, mangá… Num esquema profissional, o trabalho de pensar cada detalhe pode ser dividido por uma equipe (desenhista, roteirista, letrista…), mas a ideia aqui é apresentar para que qualquer pessoa, criança, jovem, ou adulto possa arriscar seus passos nos quadrinhos por meio destas dicas fundamentais.
Vamos lá?

REQUADRO

As HQs são conhecidas exatamente por esta marcante característica básica: este conjunto de linhas que delimitam o espaço de cada cena e constituem o quadrinho, esta moldura mais conhecida como requadro entre os profissionais da área.
Em algumas histórias, tais linhas podem ganhar formatos diferentes, chegam a ser circulares, trêmulas… Um formato mais anguloso ajuda na narrativa visual e deixa a leitura mais dinâmica, por exemplo. Até existem casos nas quais as linhas são existem efetivamente, o autor deixa ao leitor a tarefa de imaginá-las. É uma opção estética para a obra, implica em outros questionamentos, mas como estou a tratar do básico, então fiquemos com o requadro.

CALHA

Talvez nunca tenha parado pra pensar, mas em geral existe um vão entre um quadrinho e outro. É o que chamamos de calha. Ela pode ajudar a delimitar o tempo: mais larga, indica mais tempo entre um quadro e outro; se é mais curta indica uma ação mais rápida e contínua 

BALÃO E RECORDATÓRIO

Tão amplamente conhecido como o requadro são os balões, esta figura que simboliza o ato da fala dos personagens, abrigando o texto da conversa. Os balões também podem ser desenhado de forma diferente, acumulando funções na HQ: linhas mais quadradas podem significa voz eletrônica, mais rabiscadas indicam de grito ou voz alta, aquelas que lembram nuvenzinhas constituem balões de pensamento e por aí vai…
Tipos de Balão - SaposVoadores.net
Note que o balão tem um “rabicho”, de forma a apontar para um personagem para indicar precisamente ao leitor quem está falando, ou pensando.
Já o recordatório é um painel sem rabicho, usado normalmente pelo narrador para tratar de algo não visível no quadrinho. Em algumas histórias também é usado para apresentar pensamentos dos personagens (se o balão “nuvenzinha” representar uma quebra na harmonia da arte, por exemplo, como em HQs mais adultas).

Um parênteses: O uso de representação da fala é tão marcante para os quadrinhos que sua utilização pelo cartunista norte-americano Richard Outcault na série At the Circus in Hogan’s Alley, criada em 1895, é considedo como marco da criação dos quadrinhos. Embora não usasse balões, o personagem principal, Yellow Kid, o Garoto Amarelo, apresentava suas falas por meio de texto inserido em sua vestimenta. Claro que representação de histórias por meio de desenhos existem desde o tempo das cavernas – e mesmo aqui no Brasil tivemos um dos precursores das HQs, o italianoAngelo Agostini, que lançou seu Nhô Quim em 1869 na imprensa nacional – mas isso é conversa pra outra hora…

ONOMATOPEIA
Assim como o balão indica o som da fala, a onomatopeia é uma representação de um som ambiente, que for importante para o desenrolar da história.
 Como não tem o rabicho, é desenhada bem próxima ao emissor do som. Assim, “TOC, TOC” indica o som de duas batidas na madeira, “CABRUM” uma explosão, “PLOFT” uma coisa caindo no chão e por aí vai. Normalmente vem acompanhada de algum incremento gráfico às letras, como nos exemplos acima.

DESENHO/ IMAGEM
É a desculpa clássica pra alguém se recusar a tentar fazer uma história em quadrinhos: “Não sei desenhar”. O que, em geral, não é bem verdade: estamos acostumados a rabiscar desde a infância embora a maioria pare de evoluir seu desenho depois de alguns anos. Mas ainda assim sabem tentar reproduzir o que vêem ou imaginam graficamente, nem que seja por esquemas e “homens palitinho”. Volta e meia, quando alguém não consegue se expressar com palavras pedem: “Desenha aí!”, não é verdade? Sem contar, que é possível produzir quadrinhos usando fotos ao invés de desenhos, ou mesmo colagens…
As Cobras, por Luís Fernando Veríssimo
Claro que, se o objetivo é uma qualidade profissional,  você terá que treinar bastante, seja sozinho ou por meio de cursos específicos de quadrinhos. Mas aqui estou me atendo ao básico, a existência do desenho/imagem é fundamental, mas a sua qualidade estética é discutível (não é por que o desenho não parece uma foto que a HQ é ruim, vide o escritor Luís Fernando Veríssimo e sua genial tira das Cobras). Essa suposta qualidade do traço importa menos que o item a seguir, por exemplo.

NARRATIVA VISUAL
Você, como leitor de quadrinhos, usufrui disso, talvez sem saber. Há certas regras a serem seguidos na escrita, certo? Para que o processo de leitura de uma HQ aconteça naturalmente, também existem padrões a seguir na construção da narrativa visual, ou seja a que é possibilitada por meio do desenho.
É básico, por exemplo: nós ocidentais escrevemos da esquerda para a direita, de cima para baixo. A diagramação dos quadrinhos e da arte nele contidos devem levar isso em conta, do contrário dá um nó na cabeça do leitor, que não sabe bem a ordem de “leitura” tanto do texto quanto das imagens. Em geral as pessoas sabem posicionar bem os quadrinhos, mas se esquecem do conteúdo de cada um. Por exemplo, se há dois personagens em cena. Em geral, quem fala primeiro deve ficar mais à esquerda, assim como seu balão. Se duas pessoas estão conversando, tente posicioná-las como seria na vida real, é só observar: elas procuram se olhar na maior parte do tempo. E se alguém aponta pra uma direção, a outra pessoa da cena acaba por olhar pra lá e não mais pro interlocutor. E por aí vai.

Há muitas outras situações que podem ser melhor resolvidas no desenho por meio de um bom estudo de narrativa visual. Claro que isso demanda certa “cultura visual”, aprender a observar estes pequenos detalhes, realizar estudo específico.  Mas se você conseguir ao menos cumprir o básico tá ótimo: a arte deve seguir o sentido tradicional de leitura. Se não, fica esquisito, como é, por exemplo, ler um mangá com texto traduzido, mas com a arte mantendo o padrão oriental (que não só lê da direita para a esquerda, mas escreve em vertical de cima para baixo, não horizontal como nós), como comentei neste arquivo na Rede RPG. Me agrada mais os mangás com arte invertida para leitura da esquerda para a direita (como num espelho): cria algumas situações estranhas, com personagens destros virando canhotos, mas é um preço a se pagar por uma melhor narrativa visual.
E é isso. Tendo em vista estes itens que tratei acima, só pensar numa história que mereça ser contada e mãos à obra. Comece com ideias de um quadrinho só e vá aumentando… Deixa aqui um comentário com sua experiência depois.
E então? Está preparado para se arriscar a criar suas próprias histórias em quadrinhos?

30 de abril de 2015

Diário de um Banana, o sucesso entre os adolescentes


Estava trabalhando o gênero "diário" com as minhas turmas do 6º ano. E como acho um horror o professor "ditar" o livro que o aluno deve ler, apenas exigi que fosse um diário ficcional. E, para minha surpresa, quando eles foram apresentar o trabalho, 90% dos alunos escolheram um dos livros da coleção "Diário de um Banana".
Como comecei agora a dar aula de português no Fundamental (estava apenas com espanhol), havia ouvido apenas de nome este livro. Mas com a explicação e conversa dos alunos no dia da apresentação, fiquei interessada na história e achei essa resenha bem resumida e explicada de como é contada:

banana



"Sinopse:
Não é fácil ser criança. E ninguém sabe disso melhor do que Greg Heffley, que se vê mergulhado no ensino fundamental, onde fracotes subdesenvolvidos dividem os corredores com garotos que são mais altos, mais malvados e já se barbeiam.
Em Diário de um Banana, o autor e ilustrados Jeff Kinney nos apresenta um herói improvável.

Resenha:
O livro conta o dia-a-dia de Greg Heffley que decide deixar registrado em um caderno, não diário como sua mãe gosta de dizer, as suas aventuras de Halloween, na escola, em casa com seus dois irmãos, Manny (o bebê) e Rodrick (o rockeiro). Ele leva uma vida normal, adora jogar video game e sonha o tempo todo em ser famoso em qualquer cargo, mesmo que seja como segurança da escola.
Esse é o primeiro livro de uma série que virou Best-Seller do New York Times. Gostei muito, pois é uma história leve e engraçada, logo nas primeiras páginas você já começa a rir e mesmo depois do livro acabar você ainda está rindo lembrando-se das aventuras de Greg.
O autor Jeff Kinney é também ilustrador, então todas as páginas são recheadas de desenhos dos personagens e das situações vividas por eles de um modo cômico, assim faz com que a história fique mais engraçada ainda.

banana1
diario_de_um_banana

Fonte: Blog Club de livros"


A história parece ser bem humorada e os alunos se veem nas aventuras de Greg, pois esta personagem está na mesma série que eles (6º ano) e ele passa por conflitos e situações comuns para a idade.
Fiquei interessada em ler pelo menos o primeiro livro da série, assim que tiver tempo (hehe). Quando isso acontecer, volto aqui para colocar as minhas próprias opiniões.

Natassia

29 de março de 2015

Rosas de EVA

Em 2013, fiz rosas de EVA para meus alunos presentearem suas mães no Dia das Mães. Não sei por qual motivo não postei aqui na época, mas enfim.

Peguei este molde da Internet, não lembro mais de qual blog, me perdoe o dono original do molde. (hehe)


Não fiz os moldes das folhas, apenas da sépalas, que coloquei como base. Em vez de arames, cortei um pedaço de EVA verde de 2cm de altura e mais ou menos 4cm de largura (a largura de um lápis e mais um dedo para a cola).

E ficou assim:

Corte dois moldes das pétalas e um da sépala.

Cole os cantinhos para que fique em forma de botão, um tem que ser mais apertado que o outro para poder encaixar, senão perde o trabalho.

Depois cole um dentro do outro e a sépala em baixo para cobrir os defeitinhos e fazer a base

Fica assim, agora falta colar a o suporte para encaixar o lápis ou caneta.

Pronto, com o suporte e o lápis.



Ótima ideia de presente, simples, fácil e barato!!!

Natassia

8 de julho de 2013

Como usar as redes sociais a favor da aprendizagem



A seguir, listamos cinco formas de usar as redes sociais como aliada da aprendizagem e alguns cuidados a serem tomados:

  1. Faça a mediação de grupos de estudo
Convidar os alunos de séries diferentes para participarem de grupos de estudo nas redes - separados por turma ou por escolas em que você dá aulas -, pode ajudá-lo a diagnosticar as dúvidas e os assuntos de interesse dos estudantes que podem ser trabalhados em sala de aula, de acordo com os conteúdos curriculares já planejados para cada série. Os grupos no Facebook ou as comunidades do Orkut podem ser concebidos como espaços de troca de informações entre professor e estudantes, mas lembre-se: você é o mediador das discussões propostas e tem o papel de orientar os alunos. Todos os participantes do grupo podem fazer uso do espaço para indicar links interessantes ou páginas de instituições que podem ajudar em seus estudos. "A colaboração entre os alunos proporciona o aprendizado fora de sala de aula e contribui para a construção conjunta do conhecimento" explica Spiess.

 2. Disponibilize conteúdos extras para os alunos
As redes sociais são bons espaços para compartilhar com os alunos materiais multimídia, notícias de jornais e revistas, vídeos, músicas, trechos de filmes ou de peças de teatro que envolvam assuntos trabalhados em sala, de maneira complementar. "Os alunos passam muitas horas nas redes sociais, por isso, é mais fácil eles pararem para ver conteúdos compartilhados pelo professor no ambiente virtual", diz Spiess. Esses recursos de apoio podem ser disponibilizados para os alunos nos grupos ou nos perfis sociais, mas não devem estar disponíveis apenas no Facebook ou no Orkut, porque alguns estudantes podem não fazer parte de nenhuma dessas redes. Para compartilhar materiais de apoio e exercícios sobre os conteúdos trabalhados em sala, é melhor utilizar espaços virtuais mais adequados, como a intranet da escola, o blog da turma ou do próprio professor.

 3. Promova discussões e compartilhe bons exemplos 
Aproveitar o tempo que os alunos passam na internet para promover debates interessantes sobre temas do cotidiano ajuda os alunos a desenvolverem o senso crítico e incentiva os mais tímidos a manifestarem suas opiniões. Instigue os estudantes a se manifestarem, propondo perguntas com base em notícias vistas nas redes, por exemplo. Essa pode ser uma boa forma de mantê-los em dia com as atualidades, sempre cobradas nos vestibulares.

 4. Elabore um calendário de eventos
No Facebook, por meio de ferramentas como "Meu Calendário" e "Eventos", você pode recomendar à sua turma uma visita a uma exposição, a ida a uma peça de teatro ou ao cinema. Esses calendários das redes sociais também são utilizados para lembrar os alunos sobre as entregas de trabalhos e datas de avalições. Porém, vale lembrar: eles não podem ser a única fonte de informação sobre os eventos que acontecem na escola, em dias letivos.

 5. Organize um chat para tirar dúvidas
Com alguns dias de antecedência, combine um horário com os alunos para tirar dúvidas sobre os conteúdos ministrados em sala de aula. Você pode usar os chats do Facebook, do Google Talk, do MSN ou até mesmo organizar uma Twitcam para conversar com a turma - mas essa não pode ser a única forma de auxiliá-los nas questões que ainda não compreenderam. A grande vantagem de fazer um chat para tirar dúvidas online é a facilidade de reunir os alunos em um mesmo lugar sem que haja a necessidade do deslocamento físico. "Assim que o tira dúvidas acaba, os alunos já podem voltar a estudar o conteúdo que estava sendo trabalhado", explica Spiess. Cuidados a serem tomados nas redes - Estabeleça previamente as regras do jogo Nos grupos abertos na internet, não se costuma publicar um documento oficial com regras a serem seguidas pelos participantes. Este "código de conduta" geralmente é colocado na descrição dos próprios grupos. "Conforme as interações forem acontecendo, as regras podem ser alteradas", diz Spiess. "Além disso, começam a surgir lideranças dentro dos próprios grupos, que colaboram com os professores na gestão das comunidades". Com o tempo, os próprios usuários vão condenar os comportamentos que considerarem inadequados, como alunos que fazem comentários que não são relativos ao que está sendo discutidos ou spams.

 - Não exclua os alunos que estão fora das redes sociais
Os conteúdos obrigatórios - como os exercícios que serão trabalhados em sala e alguns textos da bibliografia da disciplina - não podem estar apenas nas redes sociais (até mesmo porque legalmente, apenas pessoas com mais de 18 anos podem ter perfis na maioria das redes). "Os alunos que passam muito tempo conectados podem se utilizar desse álibi para convencer seus pais de que estão nas redes sociais porque seu professor pediu", alerta Betina. A mesma regra vale para as aulas de reforço. A melhor solução para esses casos é o professor fazer um blog e disponibilizar os materiais didáticos nele ou ainda publicá-los na intranet da escola para os alunos conseguirem acessar o conteúdo recomendado por meio de uma fonte oficial. Com relação aos pais, vale comunicá-los sobre a ação nas redes sociais durante as reuniões e apresentar o tipo de interação proposta com a turma.

Fonte: Revista Nova Escola - Jul 2013

20 de abril de 2013

Verdades sobre o ensino e aprendizagem de Línguas Estrangeiras



  • NÃO CONFIE em escolas ou métodos que GARANTEM que você vai aprender em um tempo X.
  • NÃO CONFIE em escolas ou métodos que prometem ensinar X frases por hora (A menos que você seja um papagaio e se contente em repetir frases sem contexto.
  • Contexto é tudo.
  • Aprenda com uma mídia que te deixe confortável e que você considere útil. Música, jogos, seriados, falar com nativos na internet, apps de smartphone... Seu aprendizado É VOCÊ QUEM FAZ.
  • Não importa se você tem o professor top-de-linha com doutorado em Oxford. Se você não correr atrás e estudar e se embrenhar no idioma por conta própria, você não aprende.
  • E, ah! Não tem como uma escola garantir que você aprenderá um idioma novo com apenas 2h/aula por semana (ENQUANTO VOCÊ NÃO FAZ NADA PARA AMPLIAR SEU VOCABULÁRIO E SUA EXPRESSÃO NO RESTO DO TEMPO).
  • NENHUM método é perfeito para TODOS. (Já ouviu falar de inteligências múltiplas?) É o mesmo que tentar fazer caber perfeitamente frutas de diferentes formas em uma caixa quadrada.
  • Malabarices tecnológicas de um método só funcionam se você tiver vontade de aprender. De outro modo, ainda não inventaram download de conteúdo direto para o cérebro.
  • Não escolha um método só pelo nome. Faça aulas demonstrativas e escolha qual metodologia se adequa melhor ao seu perfil.
  • Ainda não inventaram nenhum método ou nenhuma escola ainda tem o poder de te fazer aprender por osmose. Carregar o material por aí não vai te fazer aprender.
  • Admitir que você não gosta do idioma, mas precisa aprender por causa de negócios/estudo é o primeiro passo para aceitação e subsequente resolução dos problemas que você tem com o idioma.
  • Seu material não é sua única fonte de conhecimento. O mundo está aí, for free (ou quase), na internet.
  • Livros podem conter erros, podem ser tendenciosos, podem conter ideologias. Se não concordar com alguma coisa, procure outra fonte, é seu direito.
  • Se você não tem paciência para aulas regulares com um método, você provavelmente tem potencial para o autodidatismo e aprenderá muito mais por conta própria.
  • É muito mais fácil aprender quando você sabe que determinado assunto vai ter uma aplicação prática para você um dia.
  • Gírias são permitidas e altamente recomendáveis. Ou você fala o português gramaticalmente corretíssimo o tempo todo?
  • Aspectos culturais do país do idioma que você está estudando podem contribuir e muito para entender como a língua funciona.
  • Se alguém já passou por diversas escolas e diversos métodos , não aprendeu e foi parar na sua mão, então é bastante provável que o problema seja com ele.
  • Você pode não saber tocar piano. Mas se você se ESFORÇAR, você consegue. O mesmo com outro idioma ou qualquer coisa na vida. Esforço > Aptidão.
  • O professor pode ter preparado a melhor aula do planeta. Mas se você não estiver no clima, com paciência, teve um dia ruim e não aprendeu, a culpa não é do seu/sua teacher.
  • Classes com alunos entrosados e conversadores entre si aprendem muito mais. Não seja um chato que não gosta de se misturar, faça um esforço para se enturmar. Você vai economizar tempo assim. 
  • E por último, mas não menos importante:

 Um certificado de curso não garante que você sabe ou aprendeu. Só serve para comprovar para uma empresa que porventura pagou seu curso que você o completou. O que vai adiantar DE VERDADE para sua carreira profissional/acadêmica é um certificado internacional de proficiência. Corra atrás disso.

Autoria: Anna Diniz - Graduada em Letras, Pós-Graduada em Linguística, Professora de inglês há 10 anos.

23 de março de 2013

Professores corrigem 100 redações do Enem por dia a R$ 1,90 cada



Corretora contratada pelo MEC examinou 2.200 textos em 20 dias; especialista afirma que não há vista que aguente

Foram 2.200 redações, cerca de 1.900 páginas e 66.000 linhas. Essa foi a quantidade lida em apenas 20 dias por duas professora de São Paulo contratadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para corrigir redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2012.
 
Segundo elas – que pediram à reportagem do R7 para não serem identificadas – o valor pago por cada redação foi de apenas R$ 1,90, quantia inferior à remuneração oficial divulgada pelo MEC (Ministério da Educação), que é de R$ 2,35 por texto.

R7 teve acesso aos e-mails trocados entre as profissionais e a supervisão do Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília), que media as contratações de corretores para o MEC, que comprovam o valor de R$ 1,90 por texto corrigido.  

Além da remuneração baixa, a carga de 2.200 redações em apenas 20 dias, uma média de 100 textos diários, é apontada como extenuante por especialistas. Segundo o psicólogo Breno Rosostolato, é impossível manter o mesmo rigor e atenção com uma carga de trabalho tão grande em um pequeno espaço de tempo. 

Esse seria um dos motivos pelo qual redações tiraram nota máxima com erros graves de ortografia ou outras com inserções de receita de miojo e o hino do Palmeirasconseguiram cerca de 50% da nota máxima de 1.000 pontos.  
 
— Não há vista que não fique cansada. Deveriam pensar em outra estratégia. Acho que a leitura deva ser muito por cima. 

A professora de português do colégio SESI de São Bernardo do Campo, Raquel Patricia Godoy Bember, afirma que é comum na profissão a correção de muitos textos por dia.

— Já corrigi cerca de 96 textos em 6h, isso com muita frequência pode causar falta de atenção sim.   

Outro lado

A reportagem do R7 procurou o Cespe para esclarecer a diferença entre o valor recebido pelas professoras e o divulgado oficialmente. O centro afirmou que o responsável pelos pagamentos é o Inep. 

O presidente do instituto, professor Luiz Claudio Costa, confirmou o pagamento de R$ 2,35 por texto corrigido. 

— O Inep conta com parceiros na contratação de corretores. Acredito que essa diferença no valor esteja relacionada aos impostos que incidem sobre o serviço, não sei dizer ao certo se é INSS ou outra coisa. 

Segundo as professoras entrevistadas pelo R7, os corretores são selecionados pelo Inep por meio de indicação de pedagogos ligados ao ministério. Eles recebem o contato do Cespe e corrigem as redações em uma página privada na Internet. Segundo as corretoras, é comum a página travar durante as correções. 

Erros

O Inep afirma que as redações do Enem podem receber nota máxima mesmo com erros de ortografia. O motivo da tolerância, segundo o instituto, é que os erros não seriam relevantes do ponto de vista pedagógico, porque os alunos do Ensino Médio ainda estariam “em processo de letramento e transição para o nível superior”.

Para a mestre em Língua Portuguesa Jussara Hoffmann, erros relacionados à gramática não podem ser aceitos, por não serem critérios relativos, ou seja, que dependem da opinião do corretor.
 
— Existem aspectos subjetivos, que dependem de cada corretor, como a originalidade e clareza do texto. Mas concordância, ortografia e gramática são critérios objetivos e erros graves como os que aconteceram não podem passar despercebidos. 

Para a especialista é necessária uma orientação mais clara para os corretores, com treinamento e explicitação dos critérios de análise. Segundo ela, o ideal seria a revisão do texto por no mínimo três examinadores. 

Ela acredita que a seleção dos corretores precisa ser mais rigorosa. 

— Ser professor não garante que o profissional tenha domínio absoluto da língua. Defendo uma prova para seleção dos corretores, que hoje é feita por indicação.

Polêmicas desde janeiro

A redação do Enem 2012 é alvo de polêmicas desde o começo do ano. Diversos estudantes pediram revisão da nota. O objetivo era conseguir uma classificação melhor antes do período de inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) entre os dias 7 e 11 de janeiro, que utiliza o Enem como base para a oferta de vagas em diversas universidades públicas.
 
As notas da prova e das redações já haviam saído em 8 de dezembro, mas muitos não concordaram com a avaliação, o que gerou protestos e abaixo-assinados em 11 cidades brasileiras

A Justiça Federal em Bagé, no Rio Grande do Sul, chegou a suspender o encerramento do prazo do Sisu. O juiz federal Gustavo Chies Cignachi determinou, na época, que o Inep divulgasse o resultado da prova e o espelho de correção da redação do Enem a uma estudante, permitindo a utilização de recurso contra a nota obtidaO MEC recorreu da decisão e ganhou a causa

Por fim, em 6 de fevereiro, o ministério divulgou as correções das 4.113.558 redações, das quais 1,82% estavam em branco.


Fonte: R7 Notícias 23/03/13

9 de janeiro de 2013

Estamos criando um exército de asnos



Até que demorou a acontecer...

Já faz muito tempo que venho tendo uma postura absolutamente intolerante com todas as pessoas – incluindo meus fiéis leitores aqui do blog e de minhas redes sociais – que escrevem errado. Não, não me refiro a pessoas que cometem um ou outro erro de digitação, e sim a todos aqueles que escrevem errado por problemas de alfabetização. Faço questão de corrigir todo mundo, muitas vezes de modo sarcástico, justamente para que estas pessoas não venham a ser prejudicadas no futuro, seja em suas carreiras profissionais ou em seus respectivos cotidianos domésticos.

E é justamente o que está acontecendo agora...

Uma imensa parcela dos estudantes que foram muito mal na prova de Redação do último Enem está exigindo uma revisão de seus textos. Até aí, nada contra. Acho que o estudante tem todo o direito de saber onde errou. Há uma série de petições espalhadas pela internet colhendo assinaturas para que seja feita uma representação ao Ministério Público Federal. Se não me engano, uma estudante carioca conseguiu na Justiça o direito de ver a sua redação corrigida. O problema é que esta turma não se conforma – ou não quer acreditar – que tenha ido mal e quer que as notas sejam modificadas. Aí não, né?
Segundo dados do próprio Exame Nacional de Ensino Médio, foram avaliadas mais de quatro milhões de redações no exame de 2012. Deste montante, acredite se quiser, cerca de 75 mil foram entregues em branco! Em branco!!!! Ou seja, o aluno sequer tentou escrever algo a respeito do tema proposto – no caso, “A imigração para o Brasil no século 21” – ou, pior, sequer teve noção daquilo que foi pedido. Uma catástrofe total!

Só que as notícias ruins não param por aqui. Além das redações “em branco”, cerca de 72 mil foram anuladas por não obedecerem aos requisitos pré-estabelecidos, como o de escrever sete linhas de texto – sim, míseras SETE linhas!

Volto a escrever que não há qualquer problema em um aluno saber quais os erros que cometeu. Isto é justo. Só que a questão reside em um ponto muito mais delicado, espinhoso e, por isto mesmo, necessário de apertar: estamos criando uma geração inteira de analfabetos funcionais, que até sabem ler, mas não compreendem o significado das palavras, não consegue interpretar um texto e muito menos elaborar um pensamento coerente em forma de sentenças.

Infelizmente, a juventude brasileira é o retrato fiel do descaso com que a Educação vem sendo tratada ao longo dos anos em nosso País. Ninguém sabe nada. Ninguém consegue interpretar fatos, coletar informações, compreender as circunstâncias, selecionar ideias e oferecer um argumento plausível que venha a sustentar uma opinião. Ninguém consegue sequer pensar por si mesmo...
Sempre que corrijo os erros de meus leitores, a maioria vem com a seguinte desculpa esfarrapada: “não preciso escrever certo (sic) na internet; quando precisar, escrevo certo; aqui é lugar de escrever fácil (sic)”. Pois, toda vez que retruquei dizendo que se você se acostuma a escrever errado, vai continuar fazendo isto em sua vida justamente pelo hábito de cometer estes erros constantemente, fui recebido com grosserias e desprezo. Agora, por ocasião das redações do Enem, as pessoas estão percebendo como o buraco é mais embaixo...

E não pense que estou botando toda a culpa por esta situação nas imbecilidades que as pessoas cometem nos “facebooks” e “twitters” da vida. Infelizmente, tantos as escolas e faculdades quanto o mercado de trabalho em geral preferem ter em suas fileiras gente burrinha e obediente, que não tenha autonomia de pensamento, que saiba apenas decorar aquilo que lhe imposto, sem questionamentos. Com isto, a última coisa que alguém consegue é desenvolver a sua capacidade de raciocínio.

Pense nisto na hora de deixar o seu filho escrever e ler o que bem entender por aí...

Escrito por Régis Tadeu, do blog Na Mira do Régis