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15 de abril de 2016

Desafio #230 - 86

86-Uma música que você considera inteligente

Construção - Chico Buarque


Acho sensacional a letra ter uma palavra proparoxítona em quase todo final de verso.


letra:

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague


Outras músicas consideradas as mais inteligentes brasileiras, aqui

22 de fevereiro de 2016

Desafio #230 - 33

33-Uma música que você considera clássica

Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Garota de Ipanema

Essa é clássica demais!!!

28 de março de 2015

"Amar é" em espanhol

O amor da forma mais fofa, em espanhol.











*fotos tiradas de uma página do Facebook.

18 de agosto de 2012

Nossa dor não advém das coisas vividas


Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drumond de Andrade


20 de julho de 2012

Difícil querer definir amigo...


Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.

Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

FELIZ DIA DO AMIGO!!!





Fonte: Com | Texto

29 de abril de 2012

Dia perfeito



Hoje, a felicidade bate
em minha porta
Hoje, a alegria é de quem vai
e depois volta


Hoje é o dia perfeito
pra fazer tudo direito
O dia perfeito

Se eu não pensar assim
Quem vai pensar por mim?
Se a tua fase é ruim
Ela chegou ao fim
E toda hora é hora e lugar é lugar
Tem que ser agora pra recomeçar
E pra nossa história nunca terminar


Vem comigo agora,a vida melhorar
E se você vier
Traz a tua fé
Pois é a tua fé
Que move montanhas
Tamanha


Pode acreditar,pode acreditar, é! (5x)


23 de abril de 2012

Feliz Día del Libro

Don Quijote de la Mancha


23 de abril es considerado el Día mundial del libro por cuenta de ser el aniversario de muerte de Cervantes (autor de Don Quijote) y de Shakspeare.



¿Sabes cuál es la relación de la rosa con el libro en el Día del Libro? Léelo aquí.


Natassia

14 de março de 2012

Trovadorismo



Designa-se por Trovadorismo o período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV). No âmbito da poesia, a tônica são mesmo as Cantigas em suas modalidades; enquanto a prosa apresenta as Novelas de Cavalaria.

Contexto Histórico

Momento final da Idade Média na Península Ibérica, onde a cultura apresenta a religiosidade como elemento marcante.
A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvação da alma. O maior temor humano era a idéia do inferno que torna o ser medieval submisso à Igreja e seus representantes.
São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc. A arte reflete, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso, essa época é chamada de Teocêntrica.
As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos. Há bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.
O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, entitulada Cantiga da Ribeirinha.

Características

A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes últimos deram origem ao nome deste estilo de época português.
Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.
As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer).
Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

Cantigas de amor

Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contatos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível. Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.
Eu-lírico – masculino

Cantigas de amigo

Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.
Eu-lírico - feminino

Cantigas satíricas

Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.

  •          Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica
  •          Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira


A prosa medieval retrata com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época. A temática das novelas medievais está ligada à vida dos cavaleiros medievais e também à religião.

A Demanda do Santo Graal é a novela mais importante para a literatura portuguesa. Ela retrata as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice sagrado (Santo Graal). Este cálice conteria o sangue recolhido por José de Arimatéia, quando Cristo estava crucificado. Esta busca (demanda) é repleta de simbolismo religioso, e o valoroso cavaleiro Galaaz consegue o cálice.

 Fonte: Grau 10

Dia da poesia


Poesia é uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos.

Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga.

Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

A poesia ganhou um dia específico, sendo este criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março.

Castro Alves ficou conhecido como o “poeta dos escravos”, pois lutou grandemente pela abolição da escravidão. Além disso, era um grande defensor do sistema republicano de governo, onde o povo elege seu presidente através do voto direto e secreto.

Sua indignação quanto ao preconceito racial ficou registrada na poesia “Navio Negreiro”, chegando a fazer um protesto contra a situação em que viviam os negros. Mas seu primeiro poema que retratava a escravidão foi “A Canção do Africano”, publicado em A Primavera.

Cursou direito na faculdade do Recife e teve grande participação na vida política da Faculdade, nas sociedades estudantis, onde desde cedo recebera calorosas saudações.

Castro Alves era um jovem bonito, esbelto, de pele clara, com uma voz marcante e forte. Sua beleza o fez conquistar a admiração dos homens, mas principalmente as paixões das mulheres, que puderam ser registradas em seus versos, considerados mais tarde como os poemas líricos mais lindos do Brasil.





8 de março de 2012

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisa ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

 Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade



11 de novembro de 2011

Música para cortar os pulsos



Imagine se todas aquelas músicas doloridas, cheia de verdades, que fazem os mais machões chorarem, fossem pano de fundo de uma história? Agora, aproveitando a fertilidade da imaginação, agregue três adolescentes (ou pós adolescentes, naquele limbo dos 20 a 25 anos) que se relacionam entre si, fisicamente ou não! Então, isso é “Música para cortar os pulsos”

Em seu primeiro texto para teatro, o diretor de cinema Rafael Gomes (Tapa na Pantera, Tudo Que É Sólido Pode Derreter) apresenta ao espectador os universos particulares de três personagens em torno dos 20 anos: Isabela, Felipe e Ricardo. Com estrutura de monólogos intercalados, os três atores em cena discorrem sobre sentimentos amorosos; paixão, desejo, desilusão, perda, frustrações.


Conforme a dramaturgia avança, é exposta a complexa ciranda de relações entre eles, enquanto as situações que narram (e vivem) desenvolvem-se em direção a um inevitável impasse.

A peça vai além dos palcos e oferece ao espectador a oportunidade de conhecer melhor o universo dos três personagens e as referências utilizadas para compor o espetáculo através do blog oficial, onde há músicas, filmes e livros que fizeram parte do processo criativo. Trechos de cenas e textos complementares ao universo dos personagens – além do processo de ensaio com os atores – também estão no blog da peça que será transformada em longa metragem em 2012.

 Fonte da resenha: Dolado e Blog Mais que tudo


Minha apreciação

É uma peça que trata de conflitos sentimentais de três adultos jovens, mas que podem acontecer com qualquer pessoa, jovem ou não. A história vai se apresentando aos poucos, através das 10 cenas e tem desfecho esperado e ao mesmo tempo surpreendente.
A fotografia é demais com movimentação de cenário e luzes, utilizando objetos simples. Apesar de os atores quase não contracenarem, há uma grande harmonia e "química" entre eles.
As músicas são bem escolhidas, que vai desde Carlos Gardel, Ópera, Barão Vermelho, sertanejo e muitas outras, que são de "cortar os pulsos"
Recomendo a todos que leem este singelo blog!
Acessem o blog da peça
 
Fotos

Mayara Constantino - Isabela
Guilherme Golski - Ricardo
Fábio Lucindo - Felipe
Natassia

30 de outubro de 2011

Mar Portuguez - Fernando Pessoa



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, vindo a falecer na mesma cidade, em 1935, com apenas 47 anos. Órfão de pai ainda criança, passou a infância e a adolescência em Durban, na África do Sul, onde obteve educação inglesa, tornando-se um poeta bilíngue. Em 1905, prestes a ingressar na Universidade do Cabo, precisou voltar para Lisboa. Lá chegou a iniciar o Curso Superior de Letras, abandonando-o para instalar uma tipografia, que fracassou. Trabalhou obscuramente como correspondente estrangeiro – redator de cartas comerciais em inglês e francês –, atividade modesta, que acabou por sustentá-lo a maior parte da vida.

Embora tenha participado intensamente das publicações do Modernismo português, seu único livro publicado em vida foi Mensagem, obra com a qual participou de um concurso de poesia do Secretariado da Propaganda Nacional, em Lisboa, em 1934, pouco antes de morrer. O prêmio de segunda categoria que lhe deram, nessa última experiência literária, mostra o quanto não foi reconhecido em vida, embora tenha dedicado toda ela à arte e à poesia. Milhares de páginas têm sido escritas sobre sua criação, uma das maiores do século XX, ao lado de Eliot, Rilke, Pound, Lorca e alguns outros.

Além de Mensagem, escreveu Poemas completos de Alberto Caeiro, Odes de Ricardo Reis, Poesias de Álvaro de Campos, Poemas dramáticos, Poesias coligidas, Quadras ao gosto popular, Novas poesias inéditas. Em prosa, suas obras são: Páginas de Doutrina Estética, A nova poesia portuguesa, Análise da vida mental portuguesa, Apologia do paganismo e Páginas íntimas e de auto-interpretação.

Poeta filósofo, sutil e complexo, Fernando Pessoa escreve em redondilhas rimadas, fundamentalmente procurando reunir o “sentir” e o “pensar” (“ O que em mim sente ´stá pensando”). A inquietação, a necessidade de compreender todas as coisas, a busca constante da consciência, que inclui saber ser ela uma impossibilidade, constituem algumas das características fundamentais de sua obra.

Fernando Pessoa é o poeta que conjuga lucidez e vidência, que se coloca entre o pendor para a paixão, o sonho, a entrega mágico-poética aos mistérios e a postura analítico-racional, de constante indagação crítica. Assim, fragmentou-se, multiplicou-se, reinventou-se, convivendo em profundidade com todas as grandes contradições do nosso tempo e recriando-as poeticamente, numa das monumentais obras-primas da poesia do século XX.

Mensagem é sua obra em versos, ao mesmo tempo, líricos e épicos. Está dividida em três partes: I – Brasão; II – Mar Portuguez; III – O Encoberto. Nela, Pessoa recria a História de Portugal, a partir de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Escrita no período neoclássico (século XVI), Os Lusíadas é considerada a maior epopeia existente em língua portuguesa, tendo imortalizado a glória e a soberania de Portugal, no período da expansão ultramarina.



No diálogo intertextual que Fernando Pessoa estabelece com Os Lusíadas para escrever Mensagem, percebe-se que o objetivo maior desta obra é restabelecer a grandeza messiânica da pátria, conquistada na época de Camões por meio das Grandes navegações Marítimas, e nunca mais recuperada. Em sua atmosfera mitopoética, visionária, Mensagem busca resgatar a glória e a soberania portuguesas, vendo a pátria predestinada a realizar um destino superior, tão nobre quanto o realizado no século XVI, mas de natureza metafísica, espiritual: a criação da Grande Poesia.

“Mar portuguez” é uma das mais belas composições de toda a obra de Fernando Pessoa. Nela, o poeta sintetiza, de forma brilhante, os elementos fundamentais no questionamento das Navegações: a dor, o preço pago para que o mar se tornasse português e a pergunta vital – “Valeu a pena?”.

O poema tem um tom filosófico, épico, elegendo como interlocutor o mar: espaço infinito, de expansão e de aventuras. Faz um balanço histórico com ele, reconhecendo a dor e, também, a necessidade de ultrapassá-la, quando o que importa é o Ideal. Em versos alternadamente de dez e oito sílabas poéticas, com rimas emparelhadas (aabbcc), as duas estrofes de seis versos que constituem o poema exibem alguns elementos essenciais da releitura de Os Lusíadas presente em Mensagem. Sua temática se aproxima da do episódio camoniano do Velho do Restelo, em que se denuncia o imenso sacrifício imposto ao povo pela aventura ultramarina:

“ Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam.
As mulheres e`um choro piedoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mãe, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo.”

Julgando-os perdidos, mães, esposas, irmãs choravam antecipadamente a morte de seus parentes; as lágrimas eram tantas que se igualavam em quantidade aos grãos de areia:

“ A branca areia as lágrimas banhavam,
Que a multidão com elas se igualavam.”



Fernando Pessoa retoma a fusão das lágrimas com as águas do mar, comunhão mais que perfeita da aventura portuguesa. Como nos outros poemas desta obra, o autor recorre a arcaísmos gráficos, como forma de remissão a um passado longínquo (portuguez, lagrimas, resaram, quere, abysmo, nelle).

Na primeira estrofe do poema, o mar aparece como vocativo, considerado como entidade superior, divina, mitificada (dessas entidades superiores que se alimentam de sangue, da dor, do sacrifício humano). As frases exclamativas realçam o sofrimento causado pela sua conquista, sintetizado pelas lágrimas que, de tão numerosas, colaboraram para torná-lo salgado (conceito hiperbólico). Repare que o eu lírico se manifesta de forma coletiva: “ Por te cruzarmos, quantas mães choraram”. A forma verbal de primeira pessoa do plural (“cruzarmos”) traz implícito o sujeito nós, que expressa a ideia de uma voz coletiva, isto é, de todo o Povo português a lamentar o alto preço pago.

A vocação náutica dos portugueses e os grandes descobrimentos do passado tornaram o tema do mar bastante frequente na Literatura Portuguesa de todos os tempos. Fernando Pessoa, em “Mar portuguez”, focaliza o custo que a aventura marítima representou em termos de vidas humanas e sofrimentos ao povo de seu país (representado pelo choro das mães, a prece dos filhos e a privação das noivas). O possessivo nosso do verso 6 não deixa dúvida de que Portugal adquiriu efetivamente a conquista desejada: o mar.

A segunda estrofe, no entanto, o eu lírico justifica o empreendimento e o esforço supremo: “Quem quere (quer) passar além do Bojador/Tem que passar além da dor”. Para os portugueses, a glória era simbolizada pela superação dos perigos do mar, constante duelo com a morte. O Bojador é um cabo localizado na costa oeste da África, na altura das ilhas Canárias (pouco ao norte do Trópico de Câncer). No início das grandes Navegações, era o limite conhecido do território africano. Portanto, “passar além do Bojador” significa entrar no desconhecido, enfrentar “perigos e abismos”.

E nesse contexto, “ tudo vale a pena” quando se alcança um desígnio maior, destinado pela nobreza da alma não pequena( de inspirações ilimitadas), pois se o mar é perigoso, na mesma medida, é o espelho da grandeza e da sublimidade, já que é nele que se reflete o céu. Ao Ideal expansionista do século XVI, com suas conquistas materiais e suas glórias terrenas, Pessoa opõe outro Ideal: um “Mar portuguez” mítico, metafísico, espiritual: conquistá-lo significa optar pela aventura e pelo sonho, engrandecer a pátria e a humanidade com a força da “Grande Poesia”, portuguesa e ao mesmo tempo universal

Fonte: Blog Literatura & Linguagens

Literatura portuguesa atual

Inês Pedrosa


A portuguesa Inês Pedrosa é uma autora bastante conhecida no Brasil, cujos romances "Fica Comigo Esta Noite" (2007, Planeta do Brasil) e "Fazes-me Falta" (2003, Planeta do Brasil) tiveram relativo destaque no país. Justificado sucesso: seu feminismo, sem carregar nenhuma bandeira, é sutil, presente tão somente no universo das personagens ou nas frágeis camadas de sua estrutura narrativa.


Sua escrita, e mesmo seu horizonte temático, é versátil, talvez graças à sua experiência como tradutora e diretora da revista "Marie Claire", de Portugal, isso entre 1993 e 1996 (é atualmente colunista do semanal "Expresso", um dos maiores jornais portugueses).

Seu livro mais recente, "A Eternidade e o Desejo" (2008, Alfaguara), confirma a versatilidade da autora. Trata-se de um romance ambientado em Salvador em que ritos e tradições da cultura brasileira, como o candomblé, surgem para orientar o leitor em uma busca pelo amor.

O estado de cegueira da protagonista, diferente do célebre "Ensaio sobre a Cegueira" (1995, Cia. das Letras) de seu compatriota José Saramago, funciona como porta de entrada para a redescoberta do sentimento amoroso. Em Saramago, a deficiência problematiza toda uma ordem de relações humanas.

Também contista, Inês Pedrosa busca nos desencontros mais cotidianos a inspiração para seus recortes de fôlego menor. Como uma fotografia de cada movimento das personagens, o instante ganha a potência de uma vida, apenas sombreada nas feições, nas palavras e nas entrelinhas de suas histórias.

"Fica Comigo Esta Noite" é um exemplo representativo da ficção da autora, onde cada movimento em falso das personagens não é simplesmente desvio arbitrário nas mãos de um ardiloso narrador, mas sim reflexo do conflitante livre-arbítrio que parece guiar cada personagem, cada decisão. Mais do que tratar da solidão, a narradora busca encontrar, em uma análise às avessas, as causas desse estado para então sugerir possíveis saídas, sempre pelo viés amoroso.

Solidão e amor, um dos contrapontos mais dolorosos da história da literatura, funcionam como instrumento em sua obra, não como objetos, temas ou motivos. Invertendo-se a equação, ou seja, sobrepondo o sentimento à resolução de seu próprio conflito, a autora cria uma trama que puxa o leitor mais pela bem amarrada linguagem do que pela mera tematização amorosa. A linguagem antecede o amor, e não este dá origem à expressão.

Por conta desse feminismo sem bandeira e dessa versatilidade, a mesa 5, intitulada "Sexo, Mentiras e Videotape", da qual Inês Pedrosa fará parte, dialogando com a inglesa Zoë Heller e com a brasileira Cíntia Moscovich, outras expoentes da literatura feminina, tem tudo para atrair boa parte do público da Flip, ao unir três gerações diferentes de mulheres discutindo e reexaminando a própria intimidade.

Fonte: Folha ilustrada


José Saramago

José de Sousa Saramago nasceu numa família de camponeses da Aldeia de Azinhaga, ao sul de Portugal, em 1922. Seus pais eram analfabetos. Sua origem influenciou o modo de escrever, caracterizado pela liberdade no uso da pontuação. "Meu estilo começou em 1979, quando eu estava escrevendo Levantado do Chão. O mundo que eu descrevia era o Portugal rural, durante os primeiros dois terços do século passado - um mundo no qual a cultura de contar histórias predominava, e eram passadas de geração a geração, sem que se usasse a palavra escrita", disse o escritor ao jornalista australiano Ben Naparstek, lembrando que, quando se fala, não se usa pontuação. A entrevista foi incluída no livro Encontros com 40 Grandes Autores.



Com um estilo próprio, Saramago conquistou em 1983 o Prêmio Camões, a mais importante distinção dada a um escritor em língua portuguesa - recebida neste ano pelo poeta Ferreira Gullar - e, em 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.


Levantado do Chão é um dos livros que mais falam de Saramago. Ao mostrar a luta do povo contra a opressão dos latifundiários e das autoridades oficiais e clericais, o romance faz ecoar a opção política do escritor, que se dizia socialista até o fim da vida. Considerado hoje o seu primeiro grande romance, Levantado do Chão também merece destaque por ter dado notoriedade a Saramago, que por ele recebeu o Prêmio Cidade de Lisboa, em 1980, e o Prêmio Internacional Ennio Flaiano em 1982.


Sua atividade como escritor, no entanto, havia começado muito antes, em 1947, com o livro Terra do Pecado. Após um hiato de 19 anos, lança, em 1966, Os Poemas Possíveis, seu primeiro livro de poesia. Três anos depois, se tornaria membro do Partido Comunista Português. Atuando como crítico literário e jornalista, em 1975, chegaria à direção-adjunta do Diário de Notícias. Mas, já no ano seguinte, fugindo à opressão do Salazarismo, regime totalitário que dominava Portugal, passaria a viver de literatura. Num primeiro momento, como tradutor. Em seguida, como autor.


Depois de Levantado do Chão, chamaria a atenção com os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986) e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), cuja inspiração lhe veio de um golpe de vista. Andando pela rua, o escritor acreditou ter lido, na manchete de um jornal, aquele que viria a ser o título da obra, e a partir daí nasceu a ideia de contar o Novo Testamento pela visão de Jesus Cristo, e não mais de um de seus apóstolos.


Foi por este livro que Saramago deixoiu Portugal, no início da década de 1992. A inscrição de O Evangelho Segundo Jesus Cristo para o Prêmio Literário Europeu, em 1992, foi vetada pela Secretaria de Cultura portuguesa. As vendas dispararam, mas, aborrecido, o escritor mudou-se para Lanzarote, nas Ilhas Canárias.


Sobre Levantado do Chão, outra curiosidade: o título foi tomado de empréstimo pelo compositor Chico Buarque, que participou juntamente com Saramago e o fotógrafo Sebastião Salgado de um projeto relacionado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). "Como então? Desgarrados da terra? Como assim? Levantados do Chão?", diz a letra da canção Levantados do Chão.


O Ensaio Sobre a Cegueira (1995) é outro destaque da obra de Saramago. O livro foi adaptado para o cinema em 2008 pelo brasileiro Fernando Meirelles, segundo quem Saramago não gostava de falar de literatura. Para ele, haveria assuntos mais importantes a discutir. Casado com a jornalista espanhola Pilar del Rio, Saramago deixa uma filha e dois netos do primeiro casamento.


Algumas das principais obras de Saramago:


Levantado do Chão (1980)
Memorial do Convento (1982)
O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)
História do Cerco de Lisboa (1989)
O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991)
Ensaio sobre a Cegueira (1995)
As Intermitências da Morte (2005)

Fonte: Veja - Celebridades


20 de outubro de 2011

"Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois
Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois
Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois."


(Mario Quintana)



25 de setembro de 2011

Autores do Modernismo - 1ª fase

1. Mário de Andrade (Mário Raul de Moraes Andrade)(1893-1945)


Nasceu em São Paulo, estudou no tradicional Colégio do Carmo. Estudou música e mais tarde lecionou no Conservatório Musical de São Paulo.
Em 1992 participa ativamente da Semana de Arte Moderna, da qual é um dos líderes, tornando-se uma personalidade respeitada nos meios intelectuais.
Pesquisador de nossa cultura, de nosso folclore, poeta, contista, ensaista, crítico, Professor de História da Música do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Escreveu sobre literatura, música, pintura, desenho, escultura, folclore. Autor do Desvairismo
Em 1924 vai às cidades históricas de Minas Gerais: Ouro Preto, Mariana, Sabará, tomando contato direto com a obra de Aleijadinho. Em 1935, convidado por Paulo Duarte, organiza o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, atrvés do qual criou a Discoteca Pública de São Paulo.
Em 1938 transfere-se para o Rio de Janeiro, onde leciona Filosofia e História da Arte na Universidade do Distrito Federal. Em 1940 volta a residir em São Paulo, trabalhando no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Escrevia simultaneamente artigos críticos, participava de rodas e discussões literárias, freqüentava os famosos chás da Confeitaria Vienense, palco de famosas discussões sobre a arte moderna.
Seu nome fica conhecido a partir da Semana de Arte Moderna, onde, além de provocar admiração pela inteligência e cultura, fica conhecido pelos versos insolentes. Destaca-se pela liberdade (sinônimo de criatividade literária) com que escreve, revelada pelos versos soltos, pelo neologismo, pelo uso de expressões de linguagem oral, pelo desrespeito a conceitos antigos e, principalmente, pelos assuntos e temas que disputam seu interesse.
Considerado o lider da Semana de Arte Moderno, Mário era um pesquisador de nossa cultura. Por essa razão, além de poeta, contista, ensaísta crítico, escreveu sobre nossa música, pintura, desenho, escultura, folclore, o que demonstra seu interesse pelo que é nacional e genuíno. Esse interesse pelo que é nacional lhe propicia uma criatividade bastante ampla, imprimindo ao Modernismo uma das características mais importantes para a nova geração: o abandono da imitação estrangeira, o reconhecimento do valor de nossas produções. Além de uma atitude estética e cultural, esta é, principalmente, uma atitude política, que implica o reconhecimento do que acontece lá fora, sem negar o que se produz no Brasil.
A primeira obra de Mário de Andrade - Há uma Gota de Sangue em Cada Poema -, inspirada pela I Guerra Mundial, revela um poeta sensível aos acontecimentos sociais. Mas é com Paulicéia Desvairada (1922) que sua poesia é definitivamente reconhecida como modernista. Bandeira do Movimento, a obra expressa a postura de poeta participante e de vanguarda e Mário reafirma sua condição de "papa do Modernismo".
No "Prefácio Interessantíssimo" ele teoriza sobre as técnicas da arte contemporânea. Além de ser o primeiro texto teórico sobre o tema, escrito no Brasil, tem o valor de manifestar a visão pessoal de Mário de Andrade, acerca do Modernismo e da própria obra. Apesar de identificado com o Futurismo, a posição de Mário de Andrade não é a de acabar com o que pertence ao passado como propunha Marinetti.
Em sua obra poética percebe-se o amadurecimento do poeta através das imagens e associações cada vez mais voltadas para o cotidiano. Sua poesia ganha rumos sociais ora mais agressivos, ora mais sutis, sem deixar de lado o lirismo de caráter individual.
A Tudo que fez somou a seriedade típica do pesquisador, o humor, a imagem criativa, a ironia e, não raras vezes, a insolência do artista que vê na sua obra o peso da função social.
Faleceu de repente, Em São Paulo, na Rua Lopes Trovão, em 25 de fevereiro de 1945.

Obras:

Poesia
Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917) - poesias (seu livro de estréia)
Paulicéia Desvairada (1922) - poesias
Losango Cáqui (1926) - poesias
Clã do Jabuti (1927) - poesias
Remate de Males (1930) - poesias
Poesias (1941) - poesias
Lira Paulistana (1945) - poesias

Prosa e outros
Primeiro Andar (1926) - contos
Belazarte (1934) - contos
Amar, Verbo Intransitivo (1927) - romance
Macunaíma (escrito em 1926 e publicado em 1928) - rapsódia
Aspectos da Literatura Brasileira (1943) - crítica literária
O Empalhador de Passarinhos (1944) - crítica literária
Os Filhos da Candinha (1943) - crônicas



2. Oswald de Andrade (José Oswald de Sousa Andrade) (1890-1954)


Foi uma das figuras mais polêmicas do nosso Modernismo. Sua vida e sua obra foram bastante interligadas: homem e autor sempre batalharam para romper a norma, a tradição, subvertendo a literatura convencional, praticando uma nova proposta, conscientes de que assim construiriam de fato uma nova literatura.
Paulista de Família muito rica, pôde ter um alto padrão de vida, garantido pelas fazendas da família. Estudou em São Paulo e em 1912, com 22 anos, fez uma viagem à Europa, onde entrou em contato com a vanguarda artística européia. Regressando a São Paulo, cursou a Faculdade de Direito do Largo São Francisco e dedicou-se ao jornalismo literário.
Em 1917 conheceu Mário de Andrade e Menotti del Picchia. Vai se formando o grupo que fará a Semana em 1922. Defendeu a pintora Anita Malfatti, rudemente atacada pelo escritor Monteiro Lobato, através do artigo "Paranóia ou Mistificação" publicado n'O Estado de S. Paulo. Juntamente com Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e outros formavam um grupo de amigos ligados à vida boêmia e à literatura.
Participou ativamente da Semana de Arte Moderna. Revelou-se um verdadeiro guerrilheiro literário na luta contra os romancistas de estética parnasiana. Em 1926 casou-se com a pintora Tarsila do Amaral. Fundaram o Movimento Antropofágico, tanto na literatura como na pintura.
A crise econômica de 1929 atingiu fortemente o patrimônio do escritor. Em 1930 separe-se de Tarsila e une-se a Patricia Theirs Galvão (primeira mulher jornalista com consciência política e precursora, nas atitudes, das idéias feministas da atualidade), a famosa Pagu, escritora e uma das tantas modernistas.
Oswald foi por pouco tempo filiado ao Partido Comunista Brasileiro. Sua participação política, o levou, juntamente com Pagu a fundar o jornal A Hora do Povo, que é empastelado pelos estudantes de direito da Faculdade do Largo São Francisco. Em 1945, já casado com Maria de Antonieta D'Alquimim, presta concurso para a Cadeira de Literatura da FFLCH da Universidade de São Paulo. Torna-se, então, professor livre-docente.
Oswald viajou pela Europa mais de uma vez (antes e depois da I Grande Guerra) e a curiosidade pelo que acontecia nas artes foi fundamental para sua obra que é, sem sombra de dúvida, a masi arrojada obra de vanguarda que tivemos.
Rever criticamente a cultura brasileira é a proposta do Manifesto do Pau-Brasil de 1924, que Oswald retoma e radicaliza na Revista Antropofágica (1928). a história do Brasil, sua economia política, sua cultura, suas artes, seus hábitos (culinária, vestimenta, etc.), tudo retomado liricamente em forma de poema, de prosa ou de poema em prosa, porque Oswald foi quem mais descaracterizou a tradicional divisão dos gêneros literários.
Sua obra é desigual na qualidade, mas cheia de originalidade. Cultivou a poesia, o teatro, o romance, o memorialismo, o ensaio literário e filosófico. Iniciador da poesia-piada, telegráfica e jornalística. Foi um inimigo juramentado de militante do passado literário, mais precisamente do estilo parnasiano ao qual ele opunha o seu estilo rápido, telegráfico.
Faleceu em São Paulo, em 1954.

Obras:
Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) - prosa
A Estrela do Absinto (1927) - prosa Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927)
Serafim Ponte Grande (1933) - prosa
A Escada (1934) - prosa Marco Zero: A Revolução Melancólica (1943) - prosa Chão (1945) - prosa O Homem e o Cavalo (1934) - teatro
A Morta (1937) - teatro
O Rei da Vela (1937) - teatro
Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão (1945)
O Escaravelho de Outro (1945) - poesia Os Condenados: Alma (1922) - prosa Ponta de Lança (1943-1944) - artigos e conferências Um Homem sem Profissão - Sob as Ordens de Mamãe (1954) - manifestos, memórias Telefonemas e Esparsos - crônicas e polêmicas


3. Manuel Bandeira (Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho) (1886-1968)


Nasceu no Recife e, menino ainda, mudous-se com a família para o Rio de Janeiro. Estudou no tradicional Colégio D. Pedro II, foi desde cedo leitor de histórias infantis e dos grandes clássicos portugueses. Viveu algum tempo em Petrópolis. Por influência do pai pensou em fazer arquitetura e por isso mudou-se para São Paulo para cursar a Escola Politécnica. Obrigado a deixar a escola por contrair tuberculose, foi tratar-se em Cladeval, na Suiça, onde conviveu com o poeta francês Paul Eluard e entrou em contato com as idéias da época sobre poesia. Volta ao Rio de Janeiro dedicando-se ao magistério secundário e superior. Desenganado e em tratamento constante vive "como que provisoriamente".
Colabourou na imprensa e teve um círculo de amigos importantes na literatura: Ribeiro Couto, Gilberto Amado, Vinícius de Moraes, Mário de Andrade, Fernando Sabino e outros.
Manuel Bandeira destrói a linguagem parnasiana rebuscada e formal (seu poema "Os Sapos" ironiza a estética parnasiana), e cria, ao mesmo tempo, em sua obra, uma linguagem simples e direta, uma linguagem cotidiana, valorizada principalmente pelo seu talento.
Quanto ao conteúdo, Bandeira revela uma tendência até certo ponto romântica para a poesia de confissão. É um dos melhores cultores do verso livre na literatura. É considerado um dos maiores poetas líricos da língua portuguesa e considerado unanimemente pela crítica como um dos maiores poetas do Modernismo do Brasil. Realizou, também, excelentes traduções de poemas. Foi cognominado por Mário de Andrade de "São João Batista do Modernismo".
Da poesia simbolista evoluiu para a poesia modernista
Folclórico, irônico, sensual
Temas do cotidiano

Obras:
A cinza das Horas (1917), Libertinagem (1930), Estrela da Vida Inteira (1966)

 
4. Alcântara Machado (Antônio Castilho de Alcântara Machado D'Oliveira) (1901-1935)


Filho de família tradicional paulista, estudou no Colégio São Bento e na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Militou no jornalismo e na política. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 dirigiu a rádio Record, fazendo a propaganda das idéias do movimento. Foi deputado pela Assembléia Nacional Constituinte de 1934. Faleceu prematuramente no Rio de Janeiro, aos 34 anos, em conseqüência de uma operação de apendicite.
Apesar de sua morte prematura, foi bastante atuante: ligado a Oswald, a Tarsila do Amaral, ao crítico e ensaísta Sérgio Milliet, contribuiu com artigos para as revistas Terra Roxa e Outras Terras, Antropofagia e Nova. Sua atuação estendeu-se para a militância política, ligando-se ao Partido Democrático.
Além de advogado dedicou-se ao jornalismo literário e especialmente à prosa literária.
Foi um dos autores qeu melhor representou a realidade urbana tendo o imigrante, sobretudo o italiano, como personagem principal. Retrata os novos hábitos, as novas profissões, os quarteirões e os lugares que se tornaram históricos em São Paulo; observa a classe operária, diferenciada da dos senhores barões e industriais, até mesmo o bairro onde se agrupava. É o observador crítico, às vezes cômico, outras emotivo e impressionista.
Alcântara Machado nos legou obras literárias que são verdadeiros documentos históricos de uma época em que o Brasil era, para o imigrante, o sonho dourado, o símbolo de uma vida melhor. Alcântara Machado mostra que ao sonho dourado se opunha a realidade, verdadeiro pesadelo, à medida que era preciso trabalahar em condições subumanas e submeter-se a qualquer tipo de emprego para alcançar a meta da ascenção social.
Alcântara Machado registrou a fala coloquial da época, imprimindo à sua literatura a linguagem oral do imigrante, do dia-a-dia, sem retórica, sem preocupação com a norma culta, a qual atribuía à literatura de seus antecessores o caráter elitista e elitizador.
Sua obra é composta por contos ambientados em São Paulo (anos vinte,séc. XX), o que a coloca como uma antecipação do caminho regionalista da nossa literatura. Foi ele quem trouxe à Literatura Brasileira um novo personagem, o imigrante italiano, que teve um importante papel na transcrição da fala do imigrante italiano.


Obras:
Brás, Bixiga e Barra Funda (1927), Laranja da China (1928), Anchieta na Capitania de São Vicente (1928)
Mana Maria (1936) (inacabada), Cavaquinho e Saxofone (1940), Novelas Paulistanas (1961) (coletânea de ficção)

 
 
 
Retirado do site Literatura & Leitura
 
Natassia

Modernismo no Brasil - 1ª fase

A Semana de Arte Moderna (1922) é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro.

A Semana ocorreu entre 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, com participação de artistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O evento contou com apresentação de conferências, leitura de poemas, dança e música. O Grupo dos Cinco, integrado pelas pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti e pelos escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, liderou o movimento que contou com a participação de dezenas de intelectuais e artistas, como Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, entre muitos outros.
Os modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico em voga na época que cultivava uma poesia formal. Propunham uma renovação radical na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura definitiva com a arte tradicional. Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas romperam as regras preestabelecidas na cultura.

Na Semana de Arte Moderna foram apresentados quadros, obras literárias e recitais inspirados em técnicas da vanguarda europeia, como o dadaísmo, o futurismo, o expressionismo e o surrealismo, misturados a temas brasileiros.

Os participantes da Semana de 1922 causaram enorme polêmica na época. Sua influência sobre as artes atravessou todo o século XX e pode ser entendida até hoje.



A primeira fase do Modernismo

O movimento modernista no Brasil contou com duas fases: a primeira foi de 1922 a 1930 e a segunda de 1930 a 1945. a primeira fase caracterizou-se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e ideias modernistas.

Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.

Várias obras, grupos, movimentos, revistas e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, numa investigação profunda e por vezes radical de novos conteúdos e de novas formas de expressão.

Entre os fatos mais importantes, destacam-se a publicação da revista Klaxon, lançada para dar continuidade ao processo de divulgação das ideias modernistas, e o lançamento de quatro movimentos culturais: o Pau-Brasil, o Verde-Amarelismo, a Antropofagia e a Anta.

Esses movimentos representavam duas tendências ideológicas distintas, duas formas diferentes de expressar o nacionalismo.

O movimento Pau-Brasil defendia a criação de uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e na aceitação e valorização das riquezas e contrastes da realidade e da cultura brasileiras.

A Antropofagia, a exemplo dos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoram seus inimigos para lhes extrair força, Oswald propõe a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural.

Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para o nazifascismo.

Dentre os muitos escritores que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida.



Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola


Natassia

17 de setembro de 2011

Romantismo

Introdução

O romantismo é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX.

O berço do romantismo pode ser considerado três países: Itália, Alemanha e Inglaterra. Porém, na França, o romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-se pela Europa e pela América.
As características principais deste período são : valorização das emoções, liberdade de criação, amor platônico, temas religiosos, individualismo, nacionalismo e história. Este período foi fortemente influenciado pelos ideais do iluminismo e pela liberdade conquistada na Revolução Francesa.


Artes Plásticas

Nas artes plásticas, o romantismo deixou importantes marcas. Artistas como o espanhol Francisco Goya e o francês Eugène Delacroix são os maiores representantes da pintura desta fase. Estes artistas representavam a natureza, os problemas sociais e urbanos, valorizavam as emoções e os sentimentos em suas obras de arte. Na Alemanha, podemos destacar as obras místicas de Caspar David Friedrich, enquanto na Inglaterra John Constable traçava obras com forte crítica à urbanização e aos problemas gerados pela Revolução Industrial.


Literatura

Foi através da poesia lírica que o romantismo ganhou formato na literatura dos séculos XVIII e XIX. Os poetas românticos usavam e abusavam das metáforas, palavras estrangeiras, frases diretas e comparações. Os principais temas abordados eram : amores platônicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. As principais obras românticas são: Cantos e Inocência do poeta inglês William Blake, Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto do alemão Goethe, Baladas Líricas do inglês William Wordsworth e diversas poesias de Lord Byron. Na França, destaca-se Os Miseráveis de Victor Hugo e Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.


Música

Na música ocorre a valorização da liberdade de expressão, das emoções e a utilização de todos os recursos da orquestra. Os assuntos de cunho popular, folclórico e nacionalista ganham importância nas músicas.

Podemos destacar como músicos deste período: Ludwig van Beethoven (suas últimas obras são consideradas românticas), Franz Schubert, Carl Maria von Weber, Felix Mendelssohn, Frédéric Chopin, Robert Schumann, Hector Berlioz, Franz Liszt e Richard Wagner.


Teatro

Na dramaturgia o romantismo se manifesta valorizando a religiosidade, o individualismo, o cotidiano, a subjetividade e a obra de William Shakespeare. Os dois dramaturgos mais conhecidos desta época foram Goethe e Friedrich von Schiller. Victor Hugo também merece destaque, pois levou várias inovações ao teatro. Em Portugal, podemos destacar o teatro de Almeida Garrett.


O ROMANTISMO NO BRASIL

Em nossa terra, inicia-se em 1836 com a publicação, na França, da Nictheroy - Revista Brasiliense, por Gonçalves de Magalhães. Neste período, nosso país ainda vivia sob a euforia da Independência do Brasil. Os artistas brasileiros buscaram sua fonte de inspiração na natureza e nas questões sociais e políticas do pais. As obras brasileiras valorizavam o amor sofrido, a religiosidade cristã, a importância de nossa natureza, a formação histórica do nosso pais e o cotidiano popular.


Artes Plásticas

As obras dos pintores brasileiros buscavam valorizar o nacionalismo, retratando fatos históricos importantes. Desta forma, os artistas contribuíam para a formação de uma identidade nacional. As obras principais deste período são : A Batalha do Avaí de Pedro Américo e A Batalha de Guararapes de Victor Meirelles.


Literatura romântica brasileira



Gonçalves Dias - poeta da 1ª geração

No ano de 1836 é publicado no Brasil Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães. Esse é considerado o ponto de largada deste período na literatura de nosso país. Essa fase literária foi composta de três gerações:

1ª Geração - conhecida também como nacionalista ou indianista, pois os escritores desta fase valorizaram muito os temas nacionais, fatos históricos e a vida do índio, que era apresentado como " bom selvagem" e, portanto, o símbolo cultural do Brasil. Destaca-se nesta fase os seguintes escritores : Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Araújo Porto Alegre e Teixeira e Souza.

2ª Geração - conhecida como Mal do século, Byroniana ou fase ultra-romântica. Os escritores desta época retratavam os temas amorosos levados ao extremo e as poesias são marcadas por um profundo pessimismo, valorização da morte, tristeza e uma visão decadente da vida e da sociedade. Muitos escritores deste período morreram ainda jovens. Podemos destacar os seguintes escritores desta fase : Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire.

3ª Geração - conhecida como geração condoreira, poesia social ou hugoana. textos marcados por crítica social. Castro Alves, o maior representante desta fase, criticou de forma direta a escravidão no poema Navio Negreiro.


Música Romântica no Brasil

A emoção, o amor e a liberdade de viver são os valores retratados nas músicas desta fase. O nacionalismo, nosso folclore e assuntos populares servem de inspiração para os músicos. O Guarani de Carlos Gomes é a obra musical de maior importância desta época.


Teatro

Assim como na música e na literatura os temas do cotidiano, o individualismo, o nacionalismo e a religiosidade também aparecem na dramaturgia brasileira desta época. Em 1838, é encenada a primeira tragédia de Gonçalves de Magalhães: Antônio José, ou o Poeta e a Inquisição. Também podemos destacar a peça O Noviço de Martins Pena.

Castro Alves - poeta da 3ª geração
Texto retirado do site Sua Pesquisa

Natassia