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13 de agosto de 2015

Mostramos 10 hábitos brasileiros para gringos e eles estranharam tudo

Descrevemos 10 hábitos brasileiros para nossos colegas do BuzzFeed ao redor do mundo e pedimos que escrevessem a primeira coisa que passasse pela cabeça deles. Este é o resultado.
Treze pessoas participaram: Chris Gera, Alexis Nedd, Will Varner, Elaina Wahl, Arianna Rebolini, Susie Armitage, Driadonna Roland, Chelsea Marshall, Monique Bartley, Sarah Kobos e Erin Chack (todos dos escritórios do BuzzFeed nos Estados Unidos), Ishmael Daro (Canadá) e José Luis H. (México).

1. Tomar mais de um banho por dia.

Tomar mais de um banho por dia.
Chris Gera: Isso é que é compromisso com a higiene.
José Luis H.: Hahahaha, às vezes eu fico a semana inteira sem tomar banho.
Alexis Nedd: Isso é OK se está muito calor e se, depois de tomar banho de manhã, você ficou suado e não quer ir pra cama imundo. Caso contrário, é um desperdício!
Elaina Wahl: Eu raramente tomo banho uma vez por dia. Tomo de seis em seis meses, mais ou menos.
Arianna Rebolini: Quem tem tempo pra isso???
Susie Armitage: Deve ser muito quente aí, então faz sentido.
Chelsea Marshall: VOCÊS ESTÃO SABENDO DA SECA NA CALIFÓRNIA? TOMEM UM BANHO SÓ, PESSOAL.
Erin Chack: Faz sentido que as pessoas em climas mais quentes sintam a necessidade de tomar banhos com mais frequência. Mas as contas de água devem ser um pesadelo.

2. Escovar os dentes no trabalho.

Escovar os dentes no trabalho.
Chris Gera: Parece uma boa ideia, na verdade. Mas eu nunca ia lembrar de levar a pasta e a escova pro trabalho.
José Luis H.: Isso é estranho. Mas vocês provavelmente têm dentes excelentes. Os hábitos de higiene dental de vocês estão muito à frente dos nossos.
Will Varner: É um pouco estranho, mas parece ser uma boa ideia. Eu tenho uma escova de dente no trabalho, mas me sinto esquisito porque mais ninguém tem. Então eu nunca uso.
Elaina Wahl: Não é esquisito. Mas tirar selfies fazendo isso, sim.
Susie Armitage: Bom saber. Quando eu for ao Brasil vou fazer isso pra vocês não pensarem que eu sou nojenta.
Chelsea Marshall: É esquisito. Mas eu sempre tenho cáries, então quem é o bobo da história?
Monique Bartley: Mais uma vez o Brasil faz a gente parecer um bando de maltrapilhos que não sabe o que é um sabonete.
Sarah Kobos: Acho que eu deveria adotar esse hábito. Todos nós deveríamos. Parabéns.
Erin Chack: EU VI UMA PESSOA FAZENDO ISSO EM SÃO PAULO e pensei que ela tivesse uma consulta no dentista depois. Faz mal pros seus dentes escovar mais de duas vezes por dia! Comam uma folha de hortelã em vez de fazer isso.

3. Sentar ao lado do parceiro no restaurante.

Sentar ao lado do parceiro no restaurante.
José Luis H.: É mais fácil pra beijar.
Alexis Nedd: Vocês deveriam olhar um no olho do outro e fazer um brinde de champanhe com a pessoa do outro lado da mesa! O romance está morto no Brasil!
Will Varner: Parece normal.
Elaina Wahl: Casais americanos desagradáveis fazem a mesma coisa. Notem que a palavra-chave é “desagradáveis”.
Arianna Rebolini: Amei 100%.
Susie Armitage: Meio fofo.
Driadonna Roland: Eu e o meu namorado sempre fazemos isso. É mais íntimo, acho, mas eu sei que os garçons ficam com vontade de vomitar.
Monique Bartley: Mas vocês não vão querer olhar um no olho do outro e ver aquele sorrisão com os dentes bem escovadinhos?
Sarah Kobos: CASAL QUE SENTA LADO A LADO?! Não. Sai fora.
Erin Chack: Queria que fosse assim nos Estados Unidos. Desse jeito é muito mais fácil dividir a comida.

4. Segurar sanduíche com guardanapo e comer pizza com garfo e faca.

Segurar sanduíche com guardanapo e comer pizza com garfo e faca.
Chris Gera: Parece ser uma coisa de higiene, MAS PIZZA COM GARFO E FACA É COISA DO CAPETA.
José Luis H.: O Brasil tem um caso sério de medo de germes.
Will Varner: Isso é esquisito.
Elaina Wahl: QUANTAS VEZES VOCÊS MORDERAM O GUARDANAPO?!?
Ishmael Daro: Pensem em toda a gordura que não vai ficar nas suas mãos! Toda aquela gordura de comida gloriosa, umidificadora.
Susie Armitage: Peraí, vocês estão zoando a gente?
Chelsea Marshall: Monstros, todos vocês.
Monique Bartley: Vida sem lamber a gordura dos dedos não é vida.
Sarah Kobos: Blasfêmia.
Erin Chack: Vocês nunca vão conhecer o verdadeiro prazer de um hambúrguer até colocarem suas mãos nuas em um.

5. Chamar todo mundo pelo primeiro nome (inclusive a presidente da República).

Chamar todo mundo pelo primeiro nome (inclusive a presidente da República).
José Luis H.: Legal, todos nós deveríamos aprender.
Alexis Nedd: Parece simpático :)
Will Varner: Hmmm, pode ser estranho se eu não conhecer a pessoa ou se ela for mais velha do que eu.
Elaina Wahl: Ah, bem relax isso aí. Aliás, quem é esse homem? Gosto dele. Ele tem um rosto simpático e está fazendo um aceno casual.
Ishmael Daro: Eu gosto dessa ideia, mas o que acontece quando há várias pessoas com o mesmo nome? Vocês começam a numerá-las, tipo João 1, João 2?
Chelsea Marshall: Isso é muito legal! Eu queria muito chamar o Obama pelo primeiro nome.
Monique Bartley: Isso prova mais uma vez que vocês são um grupo de pessoas bacanas e tranquilas que não se importam com bobagens como títulos. É por isso que vocês não têm rugas e são lindos — vocês não se estressam com besteiras.
Erin Chack: DILMA! Parece legal e amigável, como se todos vocês vivessem na Vila Sésamo.

6. Jogar papel higiênico sujo em um lixinho ao lado da privada.

Jogar papel higiênico sujo em um lixinho ao lado da privada.
Chris Gera: Que loucura. Eu gostei de várias coisas aí em cima, mas não disso.
José Luis H.: Fazemos a mesma coisa no México, mas eu sempre achei meio nojento.
Alexis Nedd: CREDO, CREDO, CREDO, e se fede? Vocês ficam com um lixo cheio de papel de cocô até trocar? Nojento.
Will Varner: NOJENTO. Deem descarga nos cocôs! Os banheiros devem ter um cheiro HORRÍVEL!
Ishmael Daro: Isso é nojento demais. Vocês não encostam na comida, mas deixam um monte de papel higiênico cheio de cocô acumulando numa lixeira? E o cheiro???
Arianna Rebolini: Nossa, que MARAVILHA? Eu não ia querer esvaziar esse lixo. Mas provavelmente é bom pro sistema de esgoto.
Susie Armitage: Isso é muito comum em vários países onde o encanamento não lida bem com papel.
Chelsea Marshall: Imagino que seja por motivos de encanamento e pra não entupir a privada. É nojento, mas, poxa, melhor do que uma privada entupida cheia de cocô.
Monique Bartley: Pra um país que parece ser tão obcecado por limpeza, é nojento. Me sinto muito mal pela pessoa que precisa limpar isso aí. O que acontece quando a lixeira está cheia?!?!
Sarah Kobos: Peraí, deixa eu entender: vocês tomam dois banhos por dia, mas jogam papel higiênico cheio de cocô no lixo? Como vocês aguentam ficar num banheiro com tanto fedor?
Erin Chack: OOOPS, más notícias pro sistema de encanamento de vocês. Quando eu fui a São Paulo, li até um aviso dizendo “Por favor, jogue o papel no lixo” e pensei que estavam falando de papel de absorvente, por que PRA ONDE MAIS o papel higiênico deveria ir?!

7. Ter 30 dias de férias por ano e mais de dez dias de feriados.

Ter 30 dias de férias por ano e mais de dez dias de feriados.
Chris Gera: [Rangendo os dentes] Fico feliz por vocês…
Will Varner: FERVENDO DE INVEJA!!!!!!
Arianna Rebolini: Isso é que é vida.
Susie Armitage: NOSSA, PARECE LEGAL, NÃO?
Driadonna Roland: Acho que eu vou me mudar.
Chelsea Marshall: Peraí, vocês têm 40 dias de folga? SE LIGUEM, ESTADOS UNIDOS.
Monique Bartley: Eu passei a vida inteira morando no país errado, meu amigo.
Sarah Kobos: Eu só tenho metade disso. O BuzzFeed Brasil tem 30 dias?!?!?!

8. Comer abacate como fruta, inclusive com açúcar.

Comer abacate como fruta, inclusive com açúcar.
Chris Gera: Yeahhhhhhhhhhhhh, eu sou muito fã de abacate, mas acho que não gosto disso. Acho…
José Luis H.: É isso aí! Smoothie de abacate é bom demais.
Alexis Nedd: Eu confio em vocês, mas parece ser horrível. O certo é comer abacate com honey mustard.
Ishmael Daro: Sai fora. Abacate só pode ser usado em guacamole.
Arianna Rebolini: Claro! Claro. Quem sou eu pra dizer não? Açúcar deixa tudo maravilhoso.
Susie Armitage: WTF.
Driadonna Roland: Isso aí é nojento.
Sarah Kobos: Triste.
Erin Chack: Eu vi o quanto vocês colocam de açúcar no cafezinho. Não estou surpresa.

9. Marcar o horário de uma festa sabendo que as pessoas só vão chegar duas ou três horas depois.

Marcar o horário de uma festa sabendo que as pessoas só vão chegar duas ou três horas depois.
Chris Gera: Muito chique.
José Luis H.: Ninguém quer ser o esquisitão que chega primeiro na festa.
Alexis Nedd: Porto-riquenhos fazem a mesma coisa, então eu estou acostumado.
Ishmael Daro: Deve ser muito difícil organizar festas-surpresa no Brasil.
Arianna Rebolini: Por que vocês não dizem que a festa começa no horário de verdade? Eu entendo que haja um pouco de atraso, mas isso parece estar meio fora de controle.
Susie Armitage: Então quer dizer que, se você quiser que as pessoas cheguem às nove da noite, é só dizer que a festa começa às seis?
Monique Bartley: Eu sempre faço isso. Não é assim que funciona nos EUA? Não entendi a questão.
Erin Chack: Se eu organizasse uma festa e ninguém chegasse depois de três horas, eu provavelmente choraria, sairia de casa e encheria a cara no bar.

10. Terminar mensagens com “abraços” ou “beijos”, mesmo com pessoas que você não conhece pessoalmente.

Terminar mensagens com "abraços" ou "beijos", mesmo com pessoas que você não conhece pessoalmente.
Chris Gera: Ah, por mim tudo bem ;) Beijos.
Alexis Nedd: Eca, não. Não gosto disso. Não encoste em mim, nem virtualmente, antes de nós virarmos amigos.
Will Varner: Eu não faria isso.
Elaina Wahl: Um dos meus emojis preferidos é o , então, sim, por mim tudo bem.
Ishmael Daro: Acho que isso pode gerar a expectativa irrealista de que você vai querer beijar a pessoa quando a conhecer pessoalmente.
Arianna Rebolini: Achei fofo. Até em contatos profissionais? Claro, por que não? Bom, OK… Abraços, sim, mas beijos, não.
Monique Bartley: Yeah! Quando um país é sexy como o Brasil qualquer um pode me abraçar ou me beijar a qualquer hora.
Sarah Kobos: Não. Parem.
Erin Chack: De novo, parece muito legal e amigável. Como se o seu país inteiro fosse uma família enorme. Eu gosto!

Considerações finais:

Considerações finais:
OSTILL
José Luis H.: Vocês todos precisam de Jesus.
Alexis Nedd: Vocês parecem ser pessoas muito limpas de todos os jeitos possíveis, EXCETO a parte de conviver com uma caixa cheia de cocô sempre que vão ao banheiro. É muito doido que isso pareça normal pra quem todas essas manias de limpeza.
Will Varner: Algumas dessas coisas são parecidas com outras culturas que ficam em áreas de clima quente! Foi muito divertido.
Elaina Wahl: Sério, quem é o homem da foto do item 5? É um jogador de futebol famoso e todos os brasileiros vão rir da minha cara se eu perguntar quem ele é?
Ishmael Daro: O Brasil é um país legal pra cacete, mas vocês têm que se ligar nesse negócio do papel higiênico. Sério, é super nojento.
Arianna Rebolini: O Brasil parece ser muito legal!!
Driadonna Roland: Os brasileiros parecem ser muito limpos, fora o fato de jogarem papel higiênico sujo no lixo em vez de na privada.
Monique Bartley: Fora o negócio do papel higiênico, os brasileiros provam que todos os outros povos são uns bárbaros que poderiam tomar uma dose de civilidade. E vocês também são muito atraentes. Basicamente, o Brasil é campeão em tudo.
Erin Chack: Acho que os Estados Unidos têm que ficar mais espertos! Vocês têm algumas ideias muito boas. Mas por favor, por favor, encostem no hambúrguer com as mãos. A vida é curta demais.
Fonte: BuzzFeed

6 situações que apenas pessoas canhotas encaram no dia a dia

Nesta quinta-feira (13) é comemorado o Dia Internacional do Canhoto. Para celebrar essa data, o site "Distractify" reuniu algumas situações que apenas pessoas canhotas encaram no dia a dia.
Confira:
1. Ficar com a lateral da mão borrada de grafite após a aula
pessoas-canhotas-01
2. Não conseguir usar a tesoura
pessoas-canhotas-02
3. E muito menos o abridor de latas
pessoas-canhotas-03
4. Se conformar de que carteiras tradicionais da escola foram feitas para destros
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5. Ter que sempre ouvir a mesma pergunta: "Nossa, jura que você é canhoto?"
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6. E se acostumar com a cara de espanto de seus amigos ao perceberem que você escreve com a mão esquerda
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Fonte: Catraca Livre

10 de agosto de 2015

6 Elementos básicos para criar uma História em Quadrinhos


De um modo geral, as histórias em quadrinho costumam acompanhar a vida das pessoas desde a infância. De modo que suas características básicas estão de algum modo arraigadas na nossa mente. Ainda assim, muita gente simplesmente “trava” diante de uma possibilidade de para fazer quadrinhos, seja numa brincadeira criativa sem compromisso ou  para realizar alguma atividade criativa na escola, entre outras possibilidades. Seja um cartum de quadro único, uma tiraou uma história longa.

Não se preocupe tanto com isso a ponto de ficar sem ação: você verá que os princípios básicos para a produção de uma HQ são simples (claro que fazer isso com qualidade profissional e sair por aí a ganhar dinheiro com suas histórias em quadrinhos vai exigir esforço, tempo e dedicação, mas isso é uma outra história).


Resolvi então listar estes elementos básicos, que estão presentes de uma forma ou de outra em qualquer gênero de HQ, seja um infantil, adulta, graphic novel, mangá… Num esquema profissional, o trabalho de pensar cada detalhe pode ser dividido por uma equipe (desenhista, roteirista, letrista…), mas a ideia aqui é apresentar para que qualquer pessoa, criança, jovem, ou adulto possa arriscar seus passos nos quadrinhos por meio destas dicas fundamentais.
Vamos lá?

REQUADRO

As HQs são conhecidas exatamente por esta marcante característica básica: este conjunto de linhas que delimitam o espaço de cada cena e constituem o quadrinho, esta moldura mais conhecida como requadro entre os profissionais da área.
Em algumas histórias, tais linhas podem ganhar formatos diferentes, chegam a ser circulares, trêmulas… Um formato mais anguloso ajuda na narrativa visual e deixa a leitura mais dinâmica, por exemplo. Até existem casos nas quais as linhas são existem efetivamente, o autor deixa ao leitor a tarefa de imaginá-las. É uma opção estética para a obra, implica em outros questionamentos, mas como estou a tratar do básico, então fiquemos com o requadro.

CALHA

Talvez nunca tenha parado pra pensar, mas em geral existe um vão entre um quadrinho e outro. É o que chamamos de calha. Ela pode ajudar a delimitar o tempo: mais larga, indica mais tempo entre um quadro e outro; se é mais curta indica uma ação mais rápida e contínua 

BALÃO E RECORDATÓRIO

Tão amplamente conhecido como o requadro são os balões, esta figura que simboliza o ato da fala dos personagens, abrigando o texto da conversa. Os balões também podem ser desenhado de forma diferente, acumulando funções na HQ: linhas mais quadradas podem significa voz eletrônica, mais rabiscadas indicam de grito ou voz alta, aquelas que lembram nuvenzinhas constituem balões de pensamento e por aí vai…
Tipos de Balão - SaposVoadores.net
Note que o balão tem um “rabicho”, de forma a apontar para um personagem para indicar precisamente ao leitor quem está falando, ou pensando.
Já o recordatório é um painel sem rabicho, usado normalmente pelo narrador para tratar de algo não visível no quadrinho. Em algumas histórias também é usado para apresentar pensamentos dos personagens (se o balão “nuvenzinha” representar uma quebra na harmonia da arte, por exemplo, como em HQs mais adultas).

Um parênteses: O uso de representação da fala é tão marcante para os quadrinhos que sua utilização pelo cartunista norte-americano Richard Outcault na série At the Circus in Hogan’s Alley, criada em 1895, é considedo como marco da criação dos quadrinhos. Embora não usasse balões, o personagem principal, Yellow Kid, o Garoto Amarelo, apresentava suas falas por meio de texto inserido em sua vestimenta. Claro que representação de histórias por meio de desenhos existem desde o tempo das cavernas – e mesmo aqui no Brasil tivemos um dos precursores das HQs, o italianoAngelo Agostini, que lançou seu Nhô Quim em 1869 na imprensa nacional – mas isso é conversa pra outra hora…

ONOMATOPEIA
Assim como o balão indica o som da fala, a onomatopeia é uma representação de um som ambiente, que for importante para o desenrolar da história.
 Como não tem o rabicho, é desenhada bem próxima ao emissor do som. Assim, “TOC, TOC” indica o som de duas batidas na madeira, “CABRUM” uma explosão, “PLOFT” uma coisa caindo no chão e por aí vai. Normalmente vem acompanhada de algum incremento gráfico às letras, como nos exemplos acima.

DESENHO/ IMAGEM
É a desculpa clássica pra alguém se recusar a tentar fazer uma história em quadrinhos: “Não sei desenhar”. O que, em geral, não é bem verdade: estamos acostumados a rabiscar desde a infância embora a maioria pare de evoluir seu desenho depois de alguns anos. Mas ainda assim sabem tentar reproduzir o que vêem ou imaginam graficamente, nem que seja por esquemas e “homens palitinho”. Volta e meia, quando alguém não consegue se expressar com palavras pedem: “Desenha aí!”, não é verdade? Sem contar, que é possível produzir quadrinhos usando fotos ao invés de desenhos, ou mesmo colagens…
As Cobras, por Luís Fernando Veríssimo
Claro que, se o objetivo é uma qualidade profissional,  você terá que treinar bastante, seja sozinho ou por meio de cursos específicos de quadrinhos. Mas aqui estou me atendo ao básico, a existência do desenho/imagem é fundamental, mas a sua qualidade estética é discutível (não é por que o desenho não parece uma foto que a HQ é ruim, vide o escritor Luís Fernando Veríssimo e sua genial tira das Cobras). Essa suposta qualidade do traço importa menos que o item a seguir, por exemplo.

NARRATIVA VISUAL
Você, como leitor de quadrinhos, usufrui disso, talvez sem saber. Há certas regras a serem seguidos na escrita, certo? Para que o processo de leitura de uma HQ aconteça naturalmente, também existem padrões a seguir na construção da narrativa visual, ou seja a que é possibilitada por meio do desenho.
É básico, por exemplo: nós ocidentais escrevemos da esquerda para a direita, de cima para baixo. A diagramação dos quadrinhos e da arte nele contidos devem levar isso em conta, do contrário dá um nó na cabeça do leitor, que não sabe bem a ordem de “leitura” tanto do texto quanto das imagens. Em geral as pessoas sabem posicionar bem os quadrinhos, mas se esquecem do conteúdo de cada um. Por exemplo, se há dois personagens em cena. Em geral, quem fala primeiro deve ficar mais à esquerda, assim como seu balão. Se duas pessoas estão conversando, tente posicioná-las como seria na vida real, é só observar: elas procuram se olhar na maior parte do tempo. E se alguém aponta pra uma direção, a outra pessoa da cena acaba por olhar pra lá e não mais pro interlocutor. E por aí vai.

Há muitas outras situações que podem ser melhor resolvidas no desenho por meio de um bom estudo de narrativa visual. Claro que isso demanda certa “cultura visual”, aprender a observar estes pequenos detalhes, realizar estudo específico.  Mas se você conseguir ao menos cumprir o básico tá ótimo: a arte deve seguir o sentido tradicional de leitura. Se não, fica esquisito, como é, por exemplo, ler um mangá com texto traduzido, mas com a arte mantendo o padrão oriental (que não só lê da direita para a esquerda, mas escreve em vertical de cima para baixo, não horizontal como nós), como comentei neste arquivo na Rede RPG. Me agrada mais os mangás com arte invertida para leitura da esquerda para a direita (como num espelho): cria algumas situações estranhas, com personagens destros virando canhotos, mas é um preço a se pagar por uma melhor narrativa visual.
E é isso. Tendo em vista estes itens que tratei acima, só pensar numa história que mereça ser contada e mãos à obra. Comece com ideias de um quadrinho só e vá aumentando… Deixa aqui um comentário com sua experiência depois.
E então? Está preparado para se arriscar a criar suas próprias histórias em quadrinhos?