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20 de setembro de 2010

ESTUDO DO TEXTO POÉTICO



1- TERMINOLOGIA POÉTICA

POESIA: nome genérico que se dá ao gênero lírico; pode ser usado também para designar a produção poética inteira de um poeta.
POEMA: Nome que se dá a um texto de poesia em particular.
VERSO: Nome que se dá a cada linha de um poema.
ESTROFE: Conjunto de versos de número variável: tanto pode ter um verso como dez ou vinte.
MÉTRICA: Nome que se dá à técnica de compor versos segundo determinado metro ou tamanho; é o nome que se dá também ao número de sílabas poéticas em cada verso.
METRO: Medida determinada de verso, que pode variar de duas sílabas poéticas até doze, de modo geral.
RIMA: Nome que dá à coincidência de sons que ocorre em especial no final dos versos.


2- CARACTERÍSTICAS DA POESIA

A poesia se caracteriza por três elementos associados: subjetividade, estrutura em versos e ritmo.

SUBJETIVIDADE: É a característica de um texto (ou de uma obra qualquer) de estar voltado sobretudo para o autor (= eu) e não tanto para a realidade objetiva, exterior ao eu. A linguagem conotativa ou figurada é mais adequada ao texto subjetivo, porque, para expressar suas emoções e seu ponto de vista particular, o autor recria a linguagem, isto é, utiliza-a de modo original.

ESTRUTURA EM VERSOS: O poema é um texto estruturado em versos. Cada verso do poema constitui uma síntese de pensamento, linguagem e sonoridade, ao final do qual dá-se uma pausa, de maneira que a leitura e a interpretação são orientadas pela estrutura em versos (verso, pausa, verso...); a estrofe representa uma pausa maior.

RITMO: É o elemento determinante de um texto poético. O poema pode não apresentar rima, mas sempre terá um ritmo,que o distinguirá de outro texto que não seja poético. O ritmo é produzido intencionalmente no plano sonoro da linguagem: harmonia de sons e de pausas (sílabas tônicas, jogos sonoros, rimas).


3- A FORMA DO POEMA

Métrica: é a técnica de compor versos seguindo um metro; é o processo de medir o tamanho dos versos.
1º - Numeram-se as sílabas gramaticais de cada verso.

2º - Consideram-se as elisões e as crases poéticas.
Elisão: encontro entre vogais átonas do fim de uma palavra e começo de outra.
Crase: encontro entre vogais iguais, do fim de uma palavra e começo de outra.

3º - Contam-se sílabas até a última sílaba tônica do verso, desprezando-se a(s) postônica(s) final(is).

Observe:

[...] Que / ro / vi / vê- / lo em / ca / da / vão / mo / men / to
         1      2     3    4     5        6     7      8      9     10

(elisão) última sílaba tônica

E em / seu / lou / vor / hei / de es / pa / lhar / meu / can / to [...]
1         2       3       4      5      6      7      8      9      10

(crase) (crase) última sílaba tônica

Metro: é a estrutura determinada de sílabas poéticas por verso.

 
4-TIPOS DE VERSOS:


VERSOS REGULARES: são os que obedecem às regras clássicas estabelecidas pela métrica, determinando a posição das sílabas acentuadas em cada tipo de verso. As rimas aparecem de modo regular, marcando a semelhança fônica no final de certos versos.

Verso de 1 sílaba (Monosílabo)

Serenata Sintérica (C. Ricardo)
Rua        Lua           Tua
torta.     morta.        porta.

Obs: só se conta até a última sílaba tônica do verso: RU(a) / TOR(ta) / / LU(a) / MOR(ta) // TU(a) / POR(ta)


Verso de 2 sílabas (Dissílabo)

A valsa (C. de Abreu)
Na valsa            Pensavas,
Cansaste;          Cismavas,
Ficaste              E estavas
Prostrada,        Tão pálida
Turbada! [...]

Verso de 3 sílabas (Trissílabo)

Trem de Ferro (M. Bandeira)
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi

Verso de 4 sílabas (Tetrassílabo)

A casa (V. de Moraes)
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Verso de 5 sílabas (pentassílabo: redondilha menor)

Tempo celeste (C. Meireles)
Dorme pensamento.
Riram-se? Choraram?
Ninguém mais recorda.

Verso de 6 sílabas (hexassílabo)
 
Canções (C. Meireles)
Há noite? Há vida? Há vozes?
Que espanto nos consome
de repente, mirando-nos?
(Alma, como é teu nome?)
 
Verso de 7 sílabas (heptassílabo: redondilha maior)
 
cantiga de roda
Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria?
Como poderei viver
Sem a tua companhia?

Verso de 8 sílabas (octossílabo)

A melhor do planeta (Noel Rosa)
Tu pensas que tu é que és
A melhor mulher do planeta
Mas eu é que não vou fazer,
Tudo o que te der na veneta.

Verso de 9 sílabas (eneassílabo)

Canto do Piaga (G. Dias)
Não sabeis o que o monstro procura?
Não sabeis a que vem, o que quer?
Vem matar vossos bravos guerreiros,
Vem roubar-vos a filha, a mulher!

Verso de 10 sílabas (decassílabo)
 
Os Lusíadas (L. V. de Camões)
Mas já o planeta que no céu primeiro
Habita, cinco vezes, apressada,
Agora meio rosto, agora inquieto


Verso de 11 sílabas (Endecassílabo

Juca Pirama (G. Dias)
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d´altiva nação...

Verso de 12 sílabas (dodecassílabo)

Amor (Cruz e Souza)
Nas largas mutações perpétuas do universo
O amor é sempre o vinho enérgico, irritante...
Um lago de luar nervoso e palpitante...
Um sol dentro de tudo altivamente imerso.


VERSOS BRANCOS: Versos que não apresentam rimas.
 
Uraguai (Basílio da Gama)
 Lá, como é uso do país, roçando
Dois lenhos entre si, desperta a chama,
Que já se ateia nas ligeiras palhas,
E velozmente se propaga.Ao vento.
Deixa Cacambo o resto e foge a tempo...

VERSOS POLIMÉTRICOS: Este é o nome que se dá a um conjunto de versos regulares de tamanhos diferentes.

VERSOS LIVRES: são versos que não obedecem a nenhuma regra pré-estabelecida quanto ao metro, à posição das sílabas fortes, nem à presença ou regularidade de rimas.

 
5- AS ESTROFES


Estrofe é um conjunto de versos. Conforme o número de versos que a compõem, a estrofe recebe um nome diferente:

Dois versos: dístico
Três versos: terceto
Quatro versos: quadra ou quarteto
Cinco versos: quinteto ou quintilha
Seis versos: sexteto ou sextilha
Sete versos: sétima ou septilha
Oito versos: oitava
Nove versos: novena ou nona
Dez versos: décima


6- AS RIMAS

Rima é o nome que se dá à repetição de sons semelhantes, ora no final de versos diferentes, ora no interior do mesmo verso, ora em posições variadas, criando um parentesco fônico entre palavras presentes em dois ou mais versos.


Aula dada na disciplina de Teoria da Literatura em 2006. Agora repasso na Oficina de Criação Literária.

Natassia

1 comentários:

João Cangalo Chipia John disse...

Gostei muito! Meu trabalho escolar está resolvido.