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21 de abril de 2013

Vale à pena?

Nos textos que recebo é comum encontrar a expressão “valer à pena”, grafada assim, com acento grave, como se ocorresse uma crase diante de “pena”. Não ocorre. 

A expressão é “valer a pena”. Nela, “pena” significa “castigo, condenação, sofrimento”. Dizer que valeu a pena significa dizer que o sacrifício, o sofrimento valeu, foi positivo porque trouxe o resultado esperado. Um atleta, por exemplo, que deseja ser campeão, impõe-se a pena de realizar treinamentos extenuantes, sacrificiais. Mas, quando recebe o prêmio pela vitória, afirma que valeu a pena, ou seja, a pena que se impôs, o sacrifício que fez, valeu, foi positivo porque lhe trouxe a vitória. 

O “a” de “a pena” é apenas artigo. Quando alguém escreve “valer à pena” está introduzindo uma preposição antes do artigo (valer a + a pena), o que equivaleria a afirmar “ao castigo vale, ao sofrimento vale”, em vez de “o castigo vale, o sofrimento vale”. 
Vale à pena? Não! Vale a pena.

(ADALBERTO ALVES DE SOUSA) no blog Prazer da Palavra

20 de abril de 2013

Verdades sobre o ensino e aprendizagem de Línguas Estrangeiras



  • NÃO CONFIE em escolas ou métodos que GARANTEM que você vai aprender em um tempo X.
  • NÃO CONFIE em escolas ou métodos que prometem ensinar X frases por hora (A menos que você seja um papagaio e se contente em repetir frases sem contexto.
  • Contexto é tudo.
  • Aprenda com uma mídia que te deixe confortável e que você considere útil. Música, jogos, seriados, falar com nativos na internet, apps de smartphone... Seu aprendizado É VOCÊ QUEM FAZ.
  • Não importa se você tem o professor top-de-linha com doutorado em Oxford. Se você não correr atrás e estudar e se embrenhar no idioma por conta própria, você não aprende.
  • E, ah! Não tem como uma escola garantir que você aprenderá um idioma novo com apenas 2h/aula por semana (ENQUANTO VOCÊ NÃO FAZ NADA PARA AMPLIAR SEU VOCABULÁRIO E SUA EXPRESSÃO NO RESTO DO TEMPO).
  • NENHUM método é perfeito para TODOS. (Já ouviu falar de inteligências múltiplas?) É o mesmo que tentar fazer caber perfeitamente frutas de diferentes formas em uma caixa quadrada.
  • Malabarices tecnológicas de um método só funcionam se você tiver vontade de aprender. De outro modo, ainda não inventaram download de conteúdo direto para o cérebro.
  • Não escolha um método só pelo nome. Faça aulas demonstrativas e escolha qual metodologia se adequa melhor ao seu perfil.
  • Ainda não inventaram nenhum método ou nenhuma escola ainda tem o poder de te fazer aprender por osmose. Carregar o material por aí não vai te fazer aprender.
  • Admitir que você não gosta do idioma, mas precisa aprender por causa de negócios/estudo é o primeiro passo para aceitação e subsequente resolução dos problemas que você tem com o idioma.
  • Seu material não é sua única fonte de conhecimento. O mundo está aí, for free (ou quase), na internet.
  • Livros podem conter erros, podem ser tendenciosos, podem conter ideologias. Se não concordar com alguma coisa, procure outra fonte, é seu direito.
  • Se você não tem paciência para aulas regulares com um método, você provavelmente tem potencial para o autodidatismo e aprenderá muito mais por conta própria.
  • É muito mais fácil aprender quando você sabe que determinado assunto vai ter uma aplicação prática para você um dia.
  • Gírias são permitidas e altamente recomendáveis. Ou você fala o português gramaticalmente corretíssimo o tempo todo?
  • Aspectos culturais do país do idioma que você está estudando podem contribuir e muito para entender como a língua funciona.
  • Se alguém já passou por diversas escolas e diversos métodos , não aprendeu e foi parar na sua mão, então é bastante provável que o problema seja com ele.
  • Você pode não saber tocar piano. Mas se você se ESFORÇAR, você consegue. O mesmo com outro idioma ou qualquer coisa na vida. Esforço > Aptidão.
  • O professor pode ter preparado a melhor aula do planeta. Mas se você não estiver no clima, com paciência, teve um dia ruim e não aprendeu, a culpa não é do seu/sua teacher.
  • Classes com alunos entrosados e conversadores entre si aprendem muito mais. Não seja um chato que não gosta de se misturar, faça um esforço para se enturmar. Você vai economizar tempo assim. 
  • E por último, mas não menos importante:

 Um certificado de curso não garante que você sabe ou aprendeu. Só serve para comprovar para uma empresa que porventura pagou seu curso que você o completou. O que vai adiantar DE VERDADE para sua carreira profissional/acadêmica é um certificado internacional de proficiência. Corra atrás disso.

Autoria: Anna Diniz - Graduada em Letras, Pós-Graduada em Linguística, Professora de inglês há 10 anos.

19 de abril de 2013

As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência

Um estudo recentemente publicado em janeiro de 2013 na revista científicaPsychological Science in the Public Interestavaliou dez técnicas comuns de aprendizagem para classificar quais possuem de fato a melhor utilidade.
O resultado do paper (íntegra aqui) traz algumas surpresas para o estudante.
Técnicas bastante populares no Brasil, como resumir, grifar, utilizar mnemônicos, visualizar imagens para apreensão de textos e reler conteúdos foram classificadas como as de utilidade mais baixa.
Três práticas foram encaradas como de utilidade moderada: interrogação elaborativa, auto-explicação e estudo intercalado.
E as duas que obtiveram o mais alto grau de utilidade na aprendizagem foram as técnicas de teste prático e prática distribuída.
É a ciência desaprovando boa parte do meu método de estudo, muito baseado em resumos, grifos, mnemônicos e mapas mentais. Por outro lado, foi confirmada a impressão que eu tinha de que a realização de exercícios em doses cavalares era extremamente efetiva para o estudo para concursos públicos.
Lembre-se de que o ranking reflete os resultados do estudo, porém cada pessoa tem o seu estilo de estudo e nada está escrito em pedra. Dito isto, falemos agora sobre as dez técnicas, das piores para as melhores.

Grifar (utilidade: baixa)

grifar 595x396 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Tão fácil quanto ineficiente.
Prepara-se para dar um descanso ao seu grifador amarelo. O estudo aponta que a técnica de apenas grifar partes importantes de um texto é pouco efetiva pelos mesmos motivos pelos quais é tão popular: praticamente não requer esforço.
Ao fazer um grifo, seu cérebro não está organizando, criando ou conectando conhecimentos. Então, grifar só pode ter alguma (pouca) utilidade quando combinada com outras técnicas.

Releitura (utilidade: baixa)

reler 595x396 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Deixa eu ler pela quinta vez…
Reler um conteúdo, em regra, é menos efetivo do que as demais técnicas apresentadas. O estudo, no entanto, mostrou que determinados tipos de leitura (massive rereading) podem ser melhores do que resumos ou grifos, se aplicados no mesmo período de tempo. A dica é reler imediatamente depois de ler, por diversas vezes.

Mnemônicos (utilidade: baixa)

mnemonico 595x446 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Remember, remember, SoCiDiVaPlu.
Segundo o dicionário Houaiss, mnemônico é algo relativo à memória; que serve para desenvolver a memória e facilitar a memorização (diz-se de técnica, exercício etc.); fácil de ser lembrado; de fácil memorização.
Em apostilas e sites de concursos públicos, é muito comum ver o uso de mnemônicos com as primeiras letras ou sílabas, como SoCiDiVaPlu para decorar os fundamentos da República Federativa do Brasil (artigo 1º da Constituição).
O estudo da Psychological Science in the Public Interest mostrou que os mnemônicos só são efetivos quando as palavras-chaves são importantes e quando o material estudado inclui palavras-chaves fáceis de memorizar.
Assuntos que não se adaptam bem a geração de palavras-chaves não conseguiram ser bem aprendidos com o uso de mnemônicos. Então, utilize-os em casos específicos e pouco tempo antes de teste.

Visualização (utilidade: baixa)

mindmap visualizacao 595x464 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Exemplo de mapa mental.
Os pesquisadores pediram que estudantes imaginassem figuras enquanto liam textos. O resultado positivo foi apenas em relação a memorização de frases. Em relação a textos mais longos, a técnica mostrou-se pouco efetiva.
Surpreendentemente (ao menos para mim), a transformação das imagens mentais em desenhos também não demonstrou aumentar a aprendizagem e ainda trouxe o inconveniente de limitar os benefícios da imaginação.
Isso não invalida completamente o uso de mapas mentais para estudos, já que esses consistem além de desenho a conexão de ideias e conceitos.
De qualquer maneira, o resultado do estudo é que a visualização não é uma técnica efetiva para provas que exijam conhecimentos inferidos de textos.

Resumos (utilidade: baixa)

resumir 595x395 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Vou resumir para você.
Resumir os pontos mais importantes de um texto com as principais ideias sempre foi uma técnica quase intuitiva de aprendizagem.
O estudo mostrou que os resumos são úteis para provas escritas, mas não para provas objetivas.
Embora tenha sido classificado como de utilidade baixa, a técnica de resumir ainda é mais útil do que grifar e reler textos. O paper diz que a técnica pode ser uma estratégia efetiva para estudantes que já são hábeis em produzir resumos.

Interrogação Elaborativa (utilidade: moderada)

perguntar 595x348 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Por que é que a vida é assim?
A técnica de interrogação elaborativa consiste em criar explicações que justifiquem por que determinados fatos apresentados no texto são verdadeiros.
O estudante devem concentrar-se em perguntas do tipo Por quê? em vez de O quê?.
Seguindo o exemplo que demos pouco antes, em vez de decorar um mnemônico como SoCiDiVaPlu, o ideal seria perguntar-se por que o Brasil adota a dignidade da pessoa humana como fundamento da República? E buscar a resposta na origem do estado democrático de Direito e na adoção do princípio da dignidade da pessoa humana pelas principais democracias ocidentais após a Revolução Francesa.
Note que esse tipo de estudo requer um esforço maior do cérebro, pois concentra-se em compreender as causas de determinado fato, investigando suas origens.
Falando especificamente de concursos públicos, a interrogação elaborativa é um grande diferencial na hora de responder redações e questões discursivas.

Auto-Explicação (utilidade: moderada)

autoexplicacao 595x396 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Entendeu, Eu Mesma?
A auto-explicação mostrou-se ser uma técnica útil para aprendizagem de conteúdos mais abstratos. Na prática, trata-se de ler o conteúdo e explicá-lo com suas próprias palavras para você mesmo.
O estudo mostrou que a técnica é mais efetiva se utilizada durante o aprendizado, e não após o estudo.

Estudo Intercalado (Utilidade: moderada)
estudo intercalado 595x483 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Vou alternar as matérias, na ordem dessa pequena pilha.
O estudo intercalado é o que chamamos de rotação de matérias em posts anteriores.
A pesquisa procurou saber se era mais efetivo estudar tópicos de uma vez ou intercalando diferentes tipos de conteúdos de uma maneira mais aleatória.
Os cientistas concluíram que a intercalação tem utilidade maior em aprendizados envolvendo movimentos físicos e tarefas cognitivas (como ciências exatas).
O principal benefício da intercalação, como já havíamos observado, é fazer com que a pessoa consiga manter-se mais tempo estudando.

Teste prático (utilidade: alta)

teste marcar x 595x396 As 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência
Simular é o melhor caminho.
Realizar testes práticos sobre o que você está estudando é uma das duas melhores maneiras de aprendizagem. A pesquisa científica mostrou que realizar testes práticos é até duas vezes mais eficiente do que outras técnicas.
No caso específico de concursos públicos, a recomendação é fazer toneladas de exercícios de provas anteriores. Não apenas do cargo para o qual você está estudando, mas qualquer tipo de questão que encontrar pela frente.
Como já recomendamos anteriormente, a maneira mais fácil de realizar testes é utilizando sistemas específicos para isso, como o site Questões de Concursos.

Prática distribuída (utilidade: alta)

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Vou rever o conteúdo a cada 15 dias.
A prática distribuída consiste em distribuir o estudo ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a aprendizagem em um bloco só (a.k.a. na véspera da prova).
Pesquisas mostram que o tempo ótimo de distribuição das sessões de estudo é de 10% a 20% do período que o conteúdo precisa ser lembrado. Por essa conta, se você quer lembrar algo por cinco anos, vocÊ deve espaçar seu aprendizado a cada seis meses. Se quer lembrar por uma semana, deve estudar uma vez por dia.
A prática distribuída também pode ser interpretada como a distribuição do estudo em pequenos períodos ao longo do dia, intervalando com períodos de descanso. Por exemplo, uma hora de manhã, uma hora à tarde e outra hora à noite.
Essa é exatamente a teoria de Tony Schwartz aplicada em técnicas de timebox como aPomodoro Technique.

Fonte: Mude.Nu

14 de abril de 2013

As armadilhas da língua

Você sabe o que é tautologia? É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: 

- elo de ligação 
- acabamento 
final 
- certeza 
absoluta 
- quantia 
exata 
- nos dias 8, 9 e 10, 
inclusive 
- juntamente 
com
 
- 
expressamente proibido
- em duas metades 
iguais 
- sintomas 
indicativos 
- há anos 
atrás 
- vereador 
da cidade 
- 
outra alternativa
- detalhes 
minuciosos 
- a razão é 
porque 
- anexo 
junto à carta
- de sua 
livre escolha
- superávit 
positivo 
- 
todos foram unânimes
- conviver 
junto 
- fato 
real 
- encarar 
de frente 
- multidão 
de pessoas 
- amanhecer 
o dia 
- criação 
nova 
- retornar 
de novo 
- empréstimo 
temporário
- surpresa 
inesperada
- escolha 
opcional 
- planejar 
antecipadamente
- abertura 
inaugural 
- 
continua a permanecer
- a 
última versão definitiva
- 
possivelmente poderá ocorrer
- comparecer 
em pessoa
- gritar 
bem alto 
- propriedade 
característica 
- 
demasiadamente excessivo
- a seu critério 
pessoal 
- exceder 
em muito. 

Note que todas essas repetições são dispensáveis. 
Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. 

Verifique se não está caindo nesta armadilha. 

Fonte: autor desconhecido


23 de março de 2013

Professores corrigem 100 redações do Enem por dia a R$ 1,90 cada



Corretora contratada pelo MEC examinou 2.200 textos em 20 dias; especialista afirma que não há vista que aguente

Foram 2.200 redações, cerca de 1.900 páginas e 66.000 linhas. Essa foi a quantidade lida em apenas 20 dias por duas professora de São Paulo contratadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para corrigir redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2012.
 
Segundo elas – que pediram à reportagem do R7 para não serem identificadas – o valor pago por cada redação foi de apenas R$ 1,90, quantia inferior à remuneração oficial divulgada pelo MEC (Ministério da Educação), que é de R$ 2,35 por texto.

O R7 teve acesso aos e-mails trocados entre as profissionais e a supervisão do Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília), que media as contratações de corretores para o MEC, que comprovam o valor de R$ 1,90 por texto corrigido.  

Além da remuneração baixa, a carga de 2.200 redações em apenas 20 dias, uma média de 100 textos diários, é apontada como extenuante por especialistas. Segundo o psicólogo Breno Rosostolato, é impossível manter o mesmo rigor e atenção com uma carga de trabalho tão grande em um pequeno espaço de tempo. 

Esse seria um dos motivos pelo qual redações tiraram nota máxima com erros graves de ortografia ou outras com inserções de receita de miojo e o hino do Palmeirasconseguiram cerca de 50% da nota máxima de 1.000 pontos.  
 
— Não há vista que não fique cansada. Deveriam pensar em outra estratégia. Acho que a leitura deva ser muito por cima. 

A professora de português do colégio SESI de São Bernardo do Campo, Raquel Patricia Godoy Bember, afirma que é comum na profissão a correção de muitos textos por dia.

— Já corrigi cerca de 96 textos em 6h, isso com muita frequência pode causar falta de atenção sim.   

Outro lado

A reportagem do R7 procurou o Cespe para esclarecer a diferença entre o valor recebido pelas professoras e o divulgado oficialmente. O centro afirmou que o responsável pelos pagamentos é o Inep. 

O presidente do instituto, professor Luiz Claudio Costa, confirmou o pagamento de R$ 2,35 por texto corrigido. 

— O Inep conta com parceiros na contratação de corretores. Acredito que essa diferença no valor esteja relacionada aos impostos que incidem sobre o serviço, não sei dizer ao certo se é INSS ou outra coisa. 

Segundo as professoras entrevistadas pelo R7, os corretores são selecionados pelo Inep por meio de indicação de pedagogos ligados ao ministério. Eles recebem o contato do Cespe e corrigem as redações em uma página privada na Internet. Segundo as corretoras, é comum a página travar durante as correções. 

Erros

O Inep afirma que as redações do Enem podem receber nota máxima mesmo com erros de ortografia. O motivo da tolerância, segundo o instituto, é que os erros não seriam relevantes do ponto de vista pedagógico, porque os alunos do Ensino Médio ainda estariam “em processo de letramento e transição para o nível superior”.

Para a mestre em Língua Portuguesa Jussara Hoffmann, erros relacionados à gramática não podem ser aceitos, por não serem critérios relativos, ou seja, que dependem da opinião do corretor.
 
— Existem aspectos subjetivos, que dependem de cada corretor, como a originalidade e clareza do texto. Mas concordância, ortografia e gramática são critérios objetivos e erros graves como os que aconteceram não podem passar despercebidos. 

Para a especialista é necessária uma orientação mais clara para os corretores, com treinamento e explicitação dos critérios de análise. Segundo ela, o ideal seria a revisão do texto por no mínimo três examinadores. 

Ela acredita que a seleção dos corretores precisa ser mais rigorosa. 

— Ser professor não garante que o profissional tenha domínio absoluto da língua. Defendo uma prova para seleção dos corretores, que hoje é feita por indicação.

Polêmicas desde janeiro

A redação do Enem 2012 é alvo de polêmicas desde o começo do ano. Diversos estudantes pediram revisão da nota. O objetivo era conseguir uma classificação melhor antes do período de inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) entre os dias 7 e 11 de janeiro, que utiliza o Enem como base para a oferta de vagas em diversas universidades públicas.
 
As notas da prova e das redações já haviam saído em 8 de dezembro, mas muitos não concordaram com a avaliação, o que gerou protestos e abaixo-assinados em 11 cidades brasileiras. 

A Justiça Federal em Bagé, no Rio Grande do Sul, chegou a suspender o encerramento do prazo do Sisu. O juiz federal Gustavo Chies Cignachi determinou, na época, que o Inep divulgasse o resultado da prova e o espelho de correção da redação do Enem a uma estudante, permitindo a utilização de recurso contra a nota obtida. O MEC recorreu da decisão e ganhou a causa. 

Por fim, em 6 de fevereiro, o ministério divulgou as correções das 4.113.558 redações, das quais 1,82% estavam em branco.


Fonte: R7 Notícias 23/03/13

6 de fevereiro de 2013

As marchinhas de Carnaval mais famosas de todos os tempos


Desde o início do século XX, o brasileiro pula o Carnaval ao som de marchinhas. O gênero musical teve seus altos e baixos e, com o passar das décadas, passou a competir com o axé, pop, funk, sertanejo e samba por um espaço no Carnaval. Apesar da carência de novas composições, a marchinha carnavalesca continua sendo um som característico da popular festa brasileira. Confira, em ordem cronológica, seis marchinhas que ficaram marcadas na história do Carnaval.

1. 'Ó Abre Alas' (1899)
Compositores:
 Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marchinha carnavalesca da história em 1899, cerca de 30 anos antes de o gênero estourar no Carnaval brasileiro. A música é uma homenagem ao Cordão Rosa de Ouro ("Rosa de Ouro é quem vai ganhar..."), que antes disso desfilava no bairro do Andaraí, zona norte do Rio de Janeiro, ao som de cantos africanos e batuques. Apesar de ter feito o maior sucesso na época, a marchinha só foi gravada em disco 72 anos depois, por Linda e Dircinha Batista. Ainda hoje, passados 114 anos, "Ó Abre Alas" é entoada nos carnavais de rua do país.



2. 'O Teu Cabelo Não Nega' (1931)
Compositores:
 Lamartine Babo, Raul Valença e João Valença
A marchinha estourou no Carnaval carioca de 1932, depois de ter embalado um show de Carmen Miranda. O sucesso marcou o início do prestígio das marchinhas carnavalescas no país. A canção era, originalmente, um frevo regional composto pelos pernambucanos irmãos Valença, que foi dado pela gravadora RCA a Lamartine Babo para que ele o adaptasse ao gosto carioca. A polêmica letra ("Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor...") não impediu que a música se tornasse um absoluto sucesso, que marca presença até hoje nos blocos de Carnaval do país.

3. 'Touradas em Madri' (1937)
Compositores:
 Alberto Ribeiro e Braguinha
A canção foi composta para o Carnaval de 1938, e já estreou vencendo um concurso carnavalesco organizado pela prefeitura do Rio de Janeiro. A glória durou pouco, porém. A música foi logo desclassificada da competição, por versar sobre um assunto estrangeiro (a guerra civil espanhola). Na Copa do Mundo de 1950, no entanto, a marchinha voltou a cair no gosto popular. A torcida brasileira entoou-a em uníssono no estádio do Maracanã ("Bum, bum, pa-ra-ra-tim bum..."), depois que a seleção venceu a Espanha por 6 a 1.



4. 'Turma do Funil' (1956)
Compositores:
 Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro
A marchinha composta para o Carnaval de 1956 fez sucesso ao versar sobre uma turma de beberrões: "Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto...". Não foi a primeira música que Mirabeau compôs sobre o tema: três anos antes, ele foi um dos coautores da marcha "Cachaça" ("Se você pensa que cachaça é água..."), também bastante entoada em Carnavais. "Turma do Funil", no entanto, destaca-se como um verdadeiro hino à boemia. Foi gravada até por Tom Jobim, Chico Buarque e Miúcha, em 1980.


5. 'Máscara Negra' (1967)

Compositores:
 Zé Keti
A canção se destaca na história das marchinhas carnavalescas por ter resgatado o gênero musical em uma época em que ele parecia estar se perdendo em meio aos sambas-enredo, bossas e músicas tropicalistas. A letra da música remete aos bailes de Carnaval e aos amores impossíveis, tendo como protagonistas os icônicos Pierrô, Arlequim e Colombina. A nostálgica marcha-rancho foi regravada recentemente pela banda Los Hermanos (2009) e pelos cantores Lenine e Roberta Sá (2007).

6. 'A Pipa do Vovô' (anos 80)
Compositores:
 Manoel Ferreira e Ruth Amaral
Eternizada na voz de Sílvio Santos, a divertida marchinha foi, na verdade, escrita pelo casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral. A dupla também é responsável pela autoria de "Ritmo de Festa", interpretada pelo apresentador. A letra de "A Pipa do Vovô" remete, ironicamente, à impotência sexual de pessoas idosas ("A pipa do vovô não sobe mais...)". Junto a "Maria Sapatão", de Chacrinha (1981), é uma das últimas marchas carnavalescas a se enraizarem na cultura popular.

Fonte: Yahoo Notícias 05.02.13

28 de janeiro de 2013

Película "Machuca" - Chile



La historia de Chile es también la historia de muchos países de Latinoamérica: tentativas de un gobierno más justo que terminaron en un terrible golpe militar en 1973 a manos del general Augusto Pinochet. A esto le siguieron abusos, torturas, desapariciones, exilios que llegaron hasta los años 90. Y aun persisten las consecuencias de este período.

"Machuca", del director Andrés Wood, cuenta la historia de dos niños, Gonzalo Infante y Pedro Machuca. Gonzalo pertenece a la clase acomodada de Chile que no ve con buenos ojos la llegada al poder de Salvador Allende y sus deseos de crear un país más justo e igualitario, dándole más poder a las clases populares. Pedro es parte de la otra cara de la moneda: vive en un asentamiento ilegal y precario cuya familia y amigos apoya las medidas del presidente y ven en él la esperanza de tener una vida mejor. Todo transcurre en 1973, pocos meses antes de que Pinochet diera su golpe de estado y acabara con los sueños de un país más justo.

Gracias a la iniciativa del padre Mcenroe (director de un exclusivo colegio privado) de aceptar niños de clases más bajas gratuitamente en la escuela, Pedro y Gonzalo se conocen y traban una amistad que logra superar las diferencias sociales. O no.

Es aquí donde la historia resulta interesante y muy útil para discutir con nuestros alumnos: los niños son niños, pero no están abstraídos de sus condicionamientos sociales. Pedro y Gonzalo parecen ser la prueba de que no hay diferencias sociales que impidan una hermosa amistad...hasta que la historia determina lo contrario.

Una película que invita a los alumnos a conocer uno de los acontecimientos más tristes de la historia latinoamericana: el fin de un sueño y una generación que luchó por ver un Chile justo y digno. Un Chile que hoy recupera la lucha, que nunca acabó, a través de sus estudiantes.

Porque aprender español no es sólo aprender gramática y vocabulario. Es aprender su historia.


Fuente: Comunidad Todoele

9 de janeiro de 2013

Estamos criando um exército de asnos



Até que demorou a acontecer...

Já faz muito tempo que venho tendo uma postura absolutamente intolerante com todas as pessoas – incluindo meus fiéis leitores aqui do blog e de minhas redes sociais – que escrevem errado. Não, não me refiro a pessoas que cometem um ou outro erro de digitação, e sim a todos aqueles que escrevem errado por problemas de alfabetização. Faço questão de corrigir todo mundo, muitas vezes de modo sarcástico, justamente para que estas pessoas não venham a ser prejudicadas no futuro, seja em suas carreiras profissionais ou em seus respectivos cotidianos domésticos.

E é justamente o que está acontecendo agora...

Uma imensa parcela dos estudantes que foram muito mal na prova de Redação do último Enem está exigindo uma revisão de seus textos. Até aí, nada contra. Acho que o estudante tem todo o direito de saber onde errou. Há uma série de petições espalhadas pela internet colhendo assinaturas para que seja feita uma representação ao Ministério Público Federal. Se não me engano, uma estudante carioca conseguiu na Justiça o direito de ver a sua redação corrigida. O problema é que esta turma não se conforma – ou não quer acreditar – que tenha ido mal e quer que as notas sejam modificadas. Aí não, né?
Segundo dados do próprio Exame Nacional de Ensino Médio, foram avaliadas mais de quatro milhões de redações no exame de 2012. Deste montante, acredite se quiser, cerca de 75 mil foram entregues em branco! Em branco!!!! Ou seja, o aluno sequer tentou escrever algo a respeito do tema proposto – no caso, “A imigração para o Brasil no século 21” – ou, pior, sequer teve noção daquilo que foi pedido. Uma catástrofe total!

Só que as notícias ruins não param por aqui. Além das redações “em branco”, cerca de 72 mil foram anuladas por não obedecerem aos requisitos pré-estabelecidos, como o de escrever sete linhas de texto – sim, míseras SETE linhas!

Volto a escrever que não há qualquer problema em um aluno saber quais os erros que cometeu. Isto é justo. Só que a questão reside em um ponto muito mais delicado, espinhoso e, por isto mesmo, necessário de apertar: estamos criando uma geração inteira de analfabetos funcionais, que até sabem ler, mas não compreendem o significado das palavras, não consegue interpretar um texto e muito menos elaborar um pensamento coerente em forma de sentenças.

Infelizmente, a juventude brasileira é o retrato fiel do descaso com que a Educação vem sendo tratada ao longo dos anos em nosso País. Ninguém sabe nada. Ninguém consegue interpretar fatos, coletar informações, compreender as circunstâncias, selecionar ideias e oferecer um argumento plausível que venha a sustentar uma opinião. Ninguém consegue sequer pensar por si mesmo...
Sempre que corrijo os erros de meus leitores, a maioria vem com a seguinte desculpa esfarrapada: “não preciso escrever certo (sic) na internet; quando precisar, escrevo certo; aqui é lugar de escrever fácil (sic)”. Pois, toda vez que retruquei dizendo que se você se acostuma a escrever errado, vai continuar fazendo isto em sua vida justamente pelo hábito de cometer estes erros constantemente, fui recebido com grosserias e desprezo. Agora, por ocasião das redações do Enem, as pessoas estão percebendo como o buraco é mais embaixo...

E não pense que estou botando toda a culpa por esta situação nas imbecilidades que as pessoas cometem nos “facebooks” e “twitters” da vida. Infelizmente, tantos as escolas e faculdades quanto o mercado de trabalho em geral preferem ter em suas fileiras gente burrinha e obediente, que não tenha autonomia de pensamento, que saiba apenas decorar aquilo que lhe imposto, sem questionamentos. Com isto, a última coisa que alguém consegue é desenvolver a sua capacidade de raciocínio.

Pense nisto na hora de deixar o seu filho escrever e ler o que bem entender por aí...

Escrito por Régis Tadeu, do blog Na Mira do Régis